Em 18 de agosto de 2004, o Estádio Sylvio Cator, em Porto Príncipe, foi cenário de um dos capítulos mais marcantes da história do futebol mundial. A seleção do Haiti recebia o Brasil, então pentacampeão do mundo, para o histórico “Jogo da Paz”.

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Muito além dos 90 minutos, a partida nasceu como uma ferramenta diplomática e humanitária para tentar acalmar um país fragilizado por crises institucionais, pobreza extrema e conflitos civis.

O contexto era complexo. O Haiti vivia uma severa instabilidade política que culminou no envio da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), liderada pelas Forças Armadas brasileiras.

Para tentar suavizar o clima de intervenção militar, o então primeiro-ministro haitiano fez um apelo inusitado: pediu que o Brasil enviasse o seu “exército” mais amado e influente — a Seleção Brasileira. O governo federal aceitou o desafio, enxergando no esporte uma vitrine para projetar liderança pacífica e apoiar o desarmamento na região.

O show dos craques e o dia em que o placar não importou

Debaixo de um calor intenso e com arquibancadas completamente lotadas, os comandados de Carlos Alberto Parreira fizeram valer a superioridade técnica, mas o clima de festa tomou conta do estádio. O Brasil goleou por 6 a 0.

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Ronaldo abriu o placar aos 19 minutos do primeiro tempo, após passe de Ronaldinho Gaúcho. O “Bruxo”, inclusive, foi o grande nome da tarde: balançou as redes aos 23 e aos 30 minutos, fechando a etapa inicial em 3 a 0.

No segundo tempo, as substituições mantiveram o ritmo. Roger Flores, que entrou na etapa complementar, anotou o quarto gol aos 20 minutos. Ronaldinho Gaúcho coroou a atuação com um hat-trick aos 31, e Roger Flores fechou a conta aos 41 minutos.

– Foi o momento mais emocionante da minha carreira profissional – declarou o técnico Carlos Alberto Parreira logo após o apito final.

A recepção digna de astros do pop transformou o resultado em mero detalhe. A passagem dos craques brasileiros levou esperança e um raro momento de celebração aos haitianos. O impacto daquela visita foi tão profundo que, em 2005, a história virou o documentário “O Dia em que o Brasil Esteve Aqui”, que retrata a paixão do país caribenho pelo futebol brasileiro.

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O reencontro inédito na Copa do Mundo de 2026

Mais de duas décadas após aquele amistoso histórico, Brasil e Haiti voltam a cruzar caminhos em um cenário totalmente diferente: os gramados da Copa do Mundo de 2026. O confronto, válido pela segunda rodada do Grupo C, acontece na Filadélfia, nos Estados Unidos.

O Haiti entra para a história como o 50º adversário diferente do Brasil em Copas do Mundo. Ao longo dos anos, os confrontos entre as duas seleções principais foram raros. Antes do torneio atual, o único jogo oficial entre as equipes havia sido na Copa América Centenário, em 2016, quando o Brasil venceu por 7 a 1. Agora, a história ganha um novo e decisivo capítulo no maior palco do futebol mundial.