Em um setor historicamente marcado pela presença masculina, cada vez mais mulheres têm conquistado espaço, liderança e reconhecimento no campo. No Oeste de Santa Catarina, essa transformação também pode ser vista dentro de grandes propriedades rurais, onde histórias de determinação e superação mostram que o protagonismo feminino no agro é uma realidade cada vez mais presente.
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Na Fazenda Bagatini, em Xanxerê, uma das maiores propriedades do município e da região, essa história tem o nome de Juliana Ribeiro Bagatini. Atuando diretamente na gestão da propriedade, ela carrega na trajetória os desafios de quem precisou quebrar paradigmas para provar que a mulher também pode ocupar posições de liderança no campo.
Assumir um papel de responsabilidade dentro da fazenda não foi uma tarefa simples. Quando passou a participar de forma mais ativa da gestão, Juliana se deparou com uma realidade ainda cercada por preconceitos.
— Foi um desafio grande, pois nenhuma mulher, até eu assumir, teve um papel importante na propriedade. O principal desafio foi mostrar que eu era capaz de exercer a função, pois existia um preconceito — relembra.
Mais do que aprender as responsabilidades da atividade rural, ela precisou enfrentar uma visão ainda muito presente em alguns ambientes do campo: a ideia de que apenas homens teriam capacidade para conduzir uma propriedade.
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— O maior obstáculo foi a quebra desse paradigma, onde só o homem tinha capacidade para conduzir uma propriedade — destaca.
Essa realidade fez com que, em diversos momentos, Juliana sentisse a necessidade de provar sua competência.
— Vários foram os momentos. Se hoje existe preconceito, imagina há dez anos atrás. Eu consegui provar minha capacidade dentro da propriedade, mas sei que fora ainda temos muito mais desafios.
No início, a falta de confiança de algumas pessoas chegou a gerar frustração:
— Fiquei chateada, porque demonstravam falta de confiança. Mas, com o passar do tempo, a situação foi mudando e hoje consigo tomar decisões sem ser julgada— comenta.
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Como é a rotina intensa e a liderança no campo
A produção de leite exige disciplina, organização e presença constante. Dentro da propriedade, a rotina é intensa e envolve diferentes setores que precisam funcionar em harmonia para manter a produção.
Juliana acompanha de perto principalmente a gestão das pessoas que trabalham na fazenda, área pela qual é diretamente responsável.
— Todos os dias estou na propriedade, ligada diretamente à gestão de pessoas. Gosto que eles me vejam e saibam que podem falar diretamente comigo. Isso me deixa mais próxima deles— relata.
Desde entrevistas e contratações até organização de horários e acompanhamento da equipe, a liderança nesse setor exige atenção constante.
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— Estou ligada diretamente com a gestão de pessoas, desde a entrevista, contratação, demissão e horários de trabalho. Tento conduzir da melhor forma, pois sem pessoas não existe propriedade.
Essa escolha de gestão com olhar para as pessoas também acontece em relação aos demais sócios da propriedade. As definições estratégicas, por exemplo, são tomadas em conjunto:
— Na parte de pessoas tenho total liberdade para opinar e tomar decisões. Já na parte financeira, as decisões são tomadas com os outros sócios proprietários da propriedade— diz.
Os desafios vão desde o comércio até o equilíbrio com a vida pessoal
Os desafios vão desde a comercialização leiteira que impactam diretamente o planejamento da propriedade. Entre os principais está a instabilidade no preço pago ao produtor, realidade que gera insegurança para quem trabalha diariamente na produção.
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— A maior dificuldade é o preço do leite pago ao produtor, pois sofre constantes oscilações. O produtor entrega a produção de 30 dias e somente depois da entrega fica sabendo o preço que será pago — frisa.
Quanto ao equilíbrio coma vida pessoal. Conciliar a liderança na propriedade com a vida pessoal também exigiu aprendizado ao longo do tempo:
— Nunca foi fácil, mas hoje posso dizer que consigo conduzir melhor essa situação. Tudo está bem organizado, então posso ter tempo para mim, para minha família e ainda fazer uma boa gestão da propriedade.
Como um momento mudou toda sua trajetória
A trajetória de Juliana também foi marcada por um momento extremamente delicado. Em 2018, pouco tempo depois de iniciar seu trabalho na propriedade, um problema grave de saúde a obrigou a se afastar das atividades.
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— Em 2017 eu tinha iniciado meu trabalho na propriedade e, no início de 2018, precisei me afastar para fazer um tratamento. Após seis meses longe da rotina do campo, o retorno veio acompanhado de uma nova forma de enxergar a vida. Foi nesse momento que percebi que Deus estava me dando uma segunda chance. E eu agarrei essa oportunidade de pensar e fazer diferente, tanto na vida profissional quanto na vida pessoal, como mãe e esposa.
O crescimento das mulheres no agro
Para Juliana, o espaço conquistado pelas mulheres no campo nos últimos anos é resultado de um movimento crescente de reconhecimento e valorização.
— Nós mulheres conseguimos mostrar que somos capazes de exercer qualquer função. O agro teve um grande destaque e isso fez com que as mulheres do agro se orgulhassem e tivessem vontade de mostrar para o mundo o papel que exercem— cita.
Esse reconhecimento também mudou a forma como a sociedade percebe o trabalho de quem vive da produção rural.
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— O agro esteve em evidência, o mundo descobriu o verdadeiro papel dos produtores rurais. Somos indispensáveis no dia a dia da população, e esse reconhecimento fez total diferença.
Ao olhar para a própria trajetória, Juliana acredita que sua história também pode servir de incentivo para outras mulheres que desejam assumir ou já estão à frente de propriedades rurais.
— Apenas comecem. Vocês vão perceber que não conseguem mais parar, principalmente se fizerem o que amam— relata.
Para ela, muitas vezes a maior barreira está nos próprios pensamentos.
— Sei que muitas vezes nós mesmas nos sabotamos, pois, a nossa mente, mente com pensamentos negativos. Mas lembrem-se: Deus só coloca desafios em nossas vidas porque sabe que somos capazes.
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Antonietas
Antonietas é um projeto da NSC que tem como objetivo dar visibilidade a força da mulher catarinense, independente da área de atuação, por meio de conteúdos multiplataforma, em todos os veículos do grupo. Saiba mais acessando o link.






