Caixas de leite guardadas pelos parentes ajudaram Daniel Burg e Isabelle da Luz a dar início ao sonho de viver da agricultura. Moradores de Brusque, uma cidade referência no setor têxtil, eles não tinham espaço e nem clima adequado para uma plantação. Então, decidiram usar a criatividade para começar uma criação de cogumelos. O que surgiu meio no improviso deu certo, ganhou apoio e hoje chega a dezenas de mesas.
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Trabalhando na área de tecnologia industrial, Daniel teve a ideia de aplicar a automação à produção agrícola. Foram meses estudando o mercado local até identificar uma lacuna: não havia produtores de champignon na região e todo o produto fresco vinha de longe. Para testar a viabilidade do cultivo, que exige rigoroso controle de temperatura e umidade, o primeiro laboratório surgiu.
— A gente juntou a família e pediu para todo mundo guardar a caixinha de leite limpinha e vazia. Montei uma estrutura de madeira, revesti com isopor e uma camada de caixinhas de leite para dar a vedação térmica. Coloquei um cooler de computador para a ventilação e o ar-condicionado era o do meu próprio quarto. Eu controlava a temperatura manualmente — conta o empreendedor.
Durante 38 dias trabalhando com um umidificador doméstico e insumos básicos, Daniel catalogou cada passo. O resultado foi uma colheita surpreendentemente farta para uma câmara improvisada, provando que a ideia tinha raízes fortes. Mas, apesar do sucesso inicial, o processo manual era exaustivo e limitava o crescimento. A virada de chave aconteceu no ambiente de trabalho de Daniel.
“Quer ter um sócio?”
O diretor da HZen Automação Industrial, Claudio Meir Reitz, viu os projetos e anotações do jovem e fez uma proposta direta. “Quer ter um sócio?”. Sem pensar duas vezes, o morador de Brusque aceitou. Com o apoio financeiro e a experiência dos engenheiros elétricos da fábrica, o projeto caseiro ganhou ares de indústria tecnológica. Visores, softwares específicos, controladores e sensores de precisão.
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— Eu não teria essa capacidade técnica de automação, mas usei aquele ditado: “Você não precisa saber tudo, mas precisa conhecer quem sabe” — brinca o produtor.
Da caixa de isopor para os grandes clientes
Com a estrutura modernizada, a produção inicial batia a marca de 40 quilos mensais. Sem uma clientela formada, Daniel colocava os champignons frescos em uma caixa de isopor e batia de porta em porta em restaurantes e pizzarias de Brusque. A aceitação foi imediata. O frescor de um produto colhido e entregue no mesmo dia conquistou o paladar e o respeito do comércio local.
Hoje, a empresa fornece para nomes de peso na cidade, como a rede de supermercados Archer, o Schmitt Buffet e Eventos. O público formado por pessoas físicas também abraçou a iniciativa. Semanalmente, entre 20 e 30 quilos de cogumelos são vendidos diretamente pelo WhatsApp para moradores de Brusque, com direito a frete grátis para todos os bairros.
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— É por gratidão mesmo a todo mundo que compra e pede toda semana. O pessoal engajou, viu que o produto é de qualidade e que não tem outro semelhante que consiga ir tão rápido da colheita para a mesa — celebra Daniel.
O nome da empresa, Bioma Amarelo, carrega um significado especial. “Bioma” representa o conjunto de fatores climáticos e biológicos rigorosamente controlados nas estufas, enquanto o “Amarelo” simboliza a prosperidade e o retorno financeiro gerado pelo negócio. E a prosperidade já mudou a rotina da família. Isabelle, que atuava sob a forte pressão da enfermagem em grandes hospitais, hoje se dedica integralmente à fungicultura.
— Hoje ela é muito mais feliz, mais calma, não trabalha com aquela pressão e tem liberdade de agenda. Trouxe a paz e a vida de agricultor que eu queria — revela o marido, que também planeja, no futuro, dedicar-se 100% à empresa.
Após dois anos de forte atuação comercial e domínio sobre o cultivo do champignon Paris, a empresa prepara o próximo passo: as novas câmaras climáticas estão sendo construídas para iniciar, em breve, a comercialização do cogumelo Portobello. Uma prova viva de que a inovação, quando regada com apoio e tecnologia, pode brotar nos lugares mais inesperados.
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