A evolução tecnológica sempre esteve aliada à lógica do pós-trabalho, em que as máquinas libertariam os humanos de tarefas laborais intensas, como o maquinário que substituiu os operários na Revolução Industrial. Uma nova etapa deste processo está sendo feita no ramo doméstico: robôs “empregadas”.
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Atualmente, o uso de robôs na automatização de tarefas já é substancial: sistemas inteligentes controlados pelo celular ou pela voz são capazes de comandar iluminação e agendas, enquanto robôs aspiradores limpam o chão e agentes de IA gerem computadores. Porém, a proposta atual é a criação de robôs antropomórficos capazes de nos substituir em diversas tarefas.

“Que o trabalho monótono, desagradável e degradante seja feito por máquinas, enquanto os humanos teriam tempo para ‘fazer coisas belas’, ler e contemplar o mundo.”
citação de Oscar Wilde em seu livro The Soul of Man under Socialism (1891)
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Segundo um estudo conjunto das universidades Oxford e Ochanomizu, 40% das tarefas domésticas podem ser automatizadas dentro dos próximos 10 anos. Dentre as tarefas consideradas mais automatizáveis estão compras e limpeza doméstica.
Estado atual dessa tecnologia
Apesar das altas expectativas, modelos humanoides como o Figure Helix e o Tesla Optimus ainda estão longe do estágio comercial, por enquanto. O setor de máquinas humanoides ainda está em seu estágio de testes e demonstrações.
O principal gargalo é a manipulação segura e confiável de objetos em ambientes imprevisíveis. Não basta reconhecer uma xícara: é preciso pegá-la sem quebrar, lidar com imprevistos e circular sem risco para quem mora na casa.
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Uma empresa que busca sobrepujar essas barreiras é a 1X Technologies, que está no processo de desenvolvimento do NEO Gamma. De acordo com a empresa norueguesa, eles estão buscando gerar uma “musculatura” robótica com fibras que se assemelhem mais ao tecido orgânico, permitindo operações delicadas. de forma semelhante ao que imaginamos os androides na ficção científica.
Principais impeditivos
Além das barreiras tecnológicas, existem barreiras psicológicas e éticas impostas por aqueles a quem o mercado de robôs mais interessa: os clientes. Uma revisão de 2025 concluiu que a confiança nas máquinas é um fator importante na adoção em massa desta tecnologia.
Afinal de contas, obras como o filme ‘O Exterminador do Futuro’ ajudaram a criar um temor na população de uma possível rebelião das máquinas. Em casas reais, o obstáculo não é apenas “funciona?”, mas “eu deixaria isso circular sozinho pela minha sala e pelo meu quarto?”
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Outro ponto levantado é a questão da privacidade do cliente em relação à empresa, principalmente em um cenário em que 61% dos cookies de sites são definidos em contexto de terceiros e 71,3% dos apps contatam domínios de rastreamento conhecidos, com menos de 9,9% pedindo consentimento antes disso.
“É como um animal de estimação… mas meu animal de estimação não coleta dados sobre mim.”
parte do título de uma pesquisa que visa estudar essa relação de confiança e privacidade entre as famílias e seus robôs domésticos.

