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Violência doméstica

Em SC, 41% dos feminicídios ocorrem em cidades com menos de 30 mil habitantes

Levantamento foi feito pela reportagem da NSC a partir de dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP)

03/02/2020 - 06h24 - Atualizada em: 03/02/2020 - 06h39

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Por Guilherme Simon
feminicídios
Estado registrou 58 mortes por feminicídio ao longo de 2019
(Foto: )

Os crimes de feminícidio em Santa Catarina de 2019 foram registrados em grande parte em cidades menores: 41% deles ocorreram em municípios com menos de 30 mil habitantes.

O levantamento foi feito a partir de dados da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina (SSP). No total, o Estado registrou 58 mortes por feminicídio ao longo de 2019. (Inicialmente, o número divulgado era de 59 casos, mas um deles deixou de ser tratado como feminicídio).

São considerados feminicídios os casos em que mulheres são mortas no âmbito de violência doméstica ou pela condição de serem mulheres. Em geral, a violência envolve companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Os dados fornecidos pela SSP mostram que, no ano passado, 62% desses crimes ocorreram em cidades consideradas pequenas ou médias, com menos de 100 mil habitantes. As quatro maiores, Joinville, Florianópolis, Blumenau e São José, tiveram 15% dos casos.

Ana Laura Tridapalli, doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que pesquisa homicídios conjugais, aponta que o dado pode ser um reflexo do fato de que o Estado é mais presente em áreas urbanas que em cidades menores. Nesse sentido, e tendo em vista que os feminicídios em geral ocorrem após anos de violência doméstica, nesses locais haveria maior dificuldade para romper o clico de agressão antes que ele fosse levado ao extremo.

— Quando há uma rede, como vemos em cidades maiores, a mulher tem a sensação de proteção. E talvez isso não esteja acontecendo nessas cidades menores, no interior do Estado. Há essa questão de norma de gênero, os códigos morais são muito mais rígidos (no interior), as mulheres permanecem muito passivas porque não têm o acolhimento necessário para ter a voz que precisam para sair de uma situação de violência — avalia.

Já a delegada Patrícia Zimmermann, responsável pelas Delegacias da Mulher de Santa Catarina, se contrapõe à ideia de que no interior do Estado a proteção às vítimas de violência é ineficaz.

— Todas as cidades contam com uma delegacia, seja de comarca ou municipal. E todas elas atendem os casos de violência doméstica e familiar.

Patrícia Zimmermann afirma ainda que a maior dificuldade encontrada é que esses crimes envolvem a relação íntima de afeto, “o que faz com que a vítima, por amar seu companheiro, não veja os riscos que corre. Isso aumenta a sua vulnerabilidade e faz com que se torne presa fácil nas mãos de seu algoz”, comenta.

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