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    Pescar, no feminino

    Entre pescadores, mulheres são minoria e chamam atenção no Sul de Santa Catarina 

    Na Praia da Pinheira, apenas três mulheres estão cadastradas para a peca 

    04/02/2017 - 03h40 - Atualizada em: 21/06/2019 - 22h05

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    Por Redação NSC
    Fileteira de primeira na Pinheira, Tereza Silva vive da pesca há 32 anos
    Fileteira de primeira na Pinheira, Tereza Silva vive da pesca há 32 anos
    (Foto: )

    As mãos cheias de espinho, que precisam repousar na água quente misturada com cachaça e vinagre, todo final de dia, são as mostras do sacrifício daquelas que elegeram a pesca como profissão. Mulheres atuando na pesca são tão raras que basta perguntar a pescadores do Sul de Santa Catarina sobre quem elas são e onde vivem, que respondem prontamente. Pudera. Dos 80 barcos na praia da Pinheira, por exemplo, só três mulheres estão cadastradas. Engana-se quem supõe que elas são coadjuvantes na lida. Há pescadoras como Tereza Norma da Silveira Silva, 48 anos, que não vai para o mar porque enjoa, mas é responsável pelos peixes pescados, da chegada à venda, ou como Lucenir Marques Gonçalves, 56, que pesca para comer.

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    — Comecei ajudando meu pai, mas aprendi mesmo com meu sogro. E criei meus filhos (dois rapazes, uma menina) graças à pesca — sentencia Tereza, natural da Guarda do Embaú, que acorda diariamente às 3h para trabalhar.

    Fileteira reconhecida, além de preparar o peixe, ela o distribui. Por isso, tem carteira de pesca há 18 anos e a exibe com orgulho, porque precisou parar de estudar na 4ª série para ajudar em casa:

    — Me sinto bem em meio à natureza.

    Já Lucenir, conhecida em Ibiraquera como Cecê, não apenas limpa os peixes: elas mesma os pesca desde os 12 anos.

    Dos 80 barcos na praia da Pinheira, em Santa Catarina, só três mulheres estão cadastradas
    Dos 80 barcos na praia da Pinheira, em Santa Catarina, só três mulheres estão cadastradas
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    Mãe de três filhos, de 26, 28 e 35 anos, diz ter criado os rebentos graças à pesca. Orgulha-se por tarrafear e remar e por ser lembrada em um meio masculino.

    — Me chamam de Pereirão (em alusão ao personagem interpretado por Lilia Cabral na novela Fina Estampa), porque cuido de tudo sozinha. E para os que duvidam, sempre bato foto do que pesco e publico no Facebook — enfatiza Cecê.

    Sempre depois da meia-noite, em Ibiraquera, Cecê Gonçalves pega a tarrafa
    Sempre depois da meia-noite, em Ibiraquera, Cecê Gonçalves pega a tarrafa
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    Ela costuma ir à Lagoa do Saco "quando dá vontade", sempre depois da meia-noite.

    — Pescar é minha terapia, não tenho estresse, depressão, nada — completa.

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