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    "Era alegre e de bom coração", diz filha de mulher que morreu com coronavírus em Joinville

    Ismenia Benta Cardoso Martinez era moradora do bairro Morro do Meio há 22 anos

    01/05/2020 - 06h50 - Atualizada em: 02/05/2020 - 16h37

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    Hassan
    Por Hassan Farias
    Ismenia Martinez tinha 67 anos
    Ismenia Martinez tinha 67 anos
    (Foto: )

    O governo do Estado confirmou a quarta morte por coronavírus nesta quinta-feira (30) em Joinville. Ismenia Benta Cardoso Martinez tinha 67 anos e estava internada no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt. Ela tinha histórico de insuficiência cardíaca, renal e diabetes, de acordo com o município.

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    Ismenia nasceu em Canoas (RS) e chegou há 32 anos em Joinville. Dez anos depois se instalou com a família no bairro Morro do Meio, onde era conhecida por muita gente. Segundo a filha Andrea Cardoso Martinez Menezes, a mãe era uma pessoa alegre e de bom coração.

    - Ela era uma pessoa que receberia todo mundo na casa dela com simplicidade. Isso também fez que Deus não deixasse ela sofrer tanto. Tinha um sorriso muito bonito e uma gargalhada boa. Recebemos muitas mensagens de muitos amigos que ela conquistou sendo assim.

    Andrea conta que a mãe nunca trabalhou fora e se dedicou a cuidar da família a vida inteira. Teve seis filhos, 16 netos e um bisneto. Parte dela vive em Joinville, cidade que dona Ismenia amava de coração.

    A filha Andrea viu a mãe pela última vez na quinta-feira (23), quando precisou ser levada para o pronto-atendimento e logo em seguida para o hospital. Ismenia já apresentava doenças pré-existentes. A filha conta que ela tinha apenas 30% do coração em funcionamento, problemas nos rins e nos pulmões. Ela já havia ficado internada de 13 a 17 de abril, período em que teve um infarto.

    Como morava sozinha, Ismenia voltou para casa e ganhou a companhia diária de Andrea, que cuidava da mãe por causa das complicações de saúde. Ela não tinha febre e reclamava apenas de dores no peito.

    No dia 23, passou mal mais uma vez e apresentou febre alta pela primeira vez, sendo internada logo em seguida. Segundo Andrea, o hospital realizou o teste para Covid-19 na sexta-feira (24) e teve o resultado positivo na segunda-feira (27), quando a família foi informada.

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    Família não conseguiu se despedir

    A família de dona Ismenia fez de tudo para tomar os cuidados necessários com o coronavírus. A filha Andrea entendeu a seriedade do vírus, foi compreensiva pela impossibilidade de visitar a mãe no hospital, mas ficou triste por não ter conseguido conversar com ela por telefone.

    Andrea conta que o susto foi muito grande porque no boletim médico divulgado pela manhã o estado de saúde da mãe havia melhorado. Ela estava consciente e com acesso ao celular, de acordo com a filha, mas o hospital não teria permitido o contato telefônico. No período da tarde, ela não resistiu e faleceu.

    - Uma coisa é você saber que um parente deu entrada (no hospital) com uma síndrome respiratória avançada, que estava inconsciente. Mas minha mãe estava consciente, não foi para UTI e nem esteve entubada. Nós pedimos para falar com ela pelo menos para contar que estávamos aqui rezando por ela - conta a filha.

    Também em razão do coronavírus, a família não pôde fazer um velório para dona Ismenia. Ela foi levada para o Crematório de Itajaí.

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    Filha pede para que a doença seja levada a sério

    Em um momento difícil de luto, Andrea faz o alerta para que as pessoas tenham cuidado com o coronavírus e levem a doença a sério. Na última atualização do governo do Estado, Joinville já contabilizava quatro mortes e 188 casos confirmados da doença. Porém, Andrea pede que os casos não sejam tratados apenas como números.

    - É uma doença que pode ser fatal e o lado humano precisa existir. Não queria que tivesse sido desse jeito com minha mãe, sem poder ver ou velar ela. Peço que as pessoas se cuidem e também cuidem dos outros.

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