Ratinho reforçou sua opinião sobre a polêmica envolvendo a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), durante o programa no SBT da última segunda-feira (16). Na semana passada, o apresentador fez falas de teor transbóbico sobre a parlamentar, afirmando que ela “não é mulher”.
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Na segunda-feira, Ratinho afirmou que não irá mudar de opinião após o pedido da parlamentar para que ele seja investigado por transfobia e danos morais coletivos junto ao Ministério Público Federal (MPF). Ele disse ter recebido mensagens de pessoas que concordaram com sua opinião.
— Na semana passada, eu tive meu nome envolvido em um verdadeiro furacão depois de dar uma opinião aqui no programa. Centenas de pessoas fizeram comentários nas redes sociais ou em publicações, falando sobre esse fato, então eu quero agradecer a todos que me apoiaram.
Ele ainda disse ser vítima de “patrulhamento”.
— Nos tempos atuais, quem fala a verdade pode ser vítima de patrulhamento e lacração, o que no meu tempo não tinha — continuou.
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Na sequência, Ratinho reiterou a opinião:
— Eu não vou mudar o meu jeito de ser para agradar quem quer que seja. Fica o recado, vamos continuar o nosso programa e vamos continuar com a nossa opinião. Eu não vou mudar!
Saiba mais sobre Erika Hilton
O que Ratinho falou sobre Erika Hilton
Durante a exibição de seu programa ao vivo, na última quarta-feira (11), Ratinho criticou o fato de Erika Hilton ter sido eleita como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
— Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente — falou Ratinho.
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Ratinho ainda reforçou o discurso preconceituoso ao questionar se Erika seria “deputada ou deputado”.
— Eu sou contra, devia deixar uma mulher ser presidente da comissão. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher — finalizou.
SBT publica nota
Em nota à imprensa, o SBT afirmou que as declarações não representam a opinião da emissora.
“O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”, disse a emissora.
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Ação no MPF pede R$ 10 milhões em danos coletivos
O Ministério Público Federal (MPF) protocolou na Justiça uma ação de danos morais coletivos contra Ratinho e o SBT. O órgão acusa Ratinho de praticar discurso transfóbico contra Erika Hilton. A representação sustenta que a conduta ultrapassa uma ofensa individual e atinge coletivamente mulheres trans e travestis ao negar a legitimidade de sua identidade de gênero e reforçar preconceitos.
A ação pede o pagamento de R$ 10 milhões em danos coletivos e solicita que a emissora retire imediatamente a fala de Ratinho das redes sociais e do site da emissora. O promotor responsável pelo caso ainda pediu que o apresentador seja condenado a publicar uma retratação.
Segundo a Folha de S.Paulo, a Justiça Federal fará uma audiência de conciliação entre as partes, para que a ação civil pública movida contra a emissora possa ser encerrada com um acordo amigável, sem passar pelo rito jurídico.
Deputada pediu suspensão do programa por 30 dias
A deputada federal também solicitou que o Ministério das Comunicações suspenda a exibição do Programa do Ratinho, exibido pelo SBT diariamente, por 30 dias. Ela alega que o apresentadorcometeu crime ao vivo e pediu a abertura de processo administrativo contra a emissora.
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Em nota, a pasta confirmou que irá analisar o pedido. “A manifestação será analisada pela equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad), que fará a avaliação dos pontos apresentados, seguindo os trâmites administrativos e legais cabíveis. O Ministério das Comunicações reafirma seu compromisso com a transparência, o diálogo institucional e o cumprimento rigoroso da legislação vigente.”
Erika Hilton preside Comissão da Mulher
A deputada federal Erika Hilton foi eleita na quarta-feira presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Ela recebeu 11 votos, e houve dez votos em branco. Ela substitui a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG).
Com isso, ela é a primeira mulher transsexual a ocupar a cadeira. Nas redes sociais, Erika se pronunciou sobre as críticas transfóbicas.
“Sim, sou Presidenta da Comissão da Mulher. E o fato disso incomodar mais do que a onda de violência contra a mulher que assola nosso país diz muita coisa. Pra essa gente incomodada, o que importa não é defender a vida das mulheres. É ofender o direito à vida das mulheres trans e travestis”, escreveu ela.
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O que é transfobia?
Transfobia é o conjunto de atitudes preconceituosas, hostis, discriminatórias ou violentas (físicas, verbais ou psicológicas) direcionadas a pessoas transgênero, transexuais ou travestis, baseadas na não aceitação de sua identidade de gênero. No Brasil, a transfobia é crime equiparado ao racismo desde 2019.






