A humanidade sempre sonhou em encontrar vida além da Terra. Em nosso próprio Sistema Solar, Marte surge como o candidato mais promissor para essa descoberta. O planeta vermelho, em muitos aspectos, é um dos mais parecidos com o nosso. Agora, o rover Perseverance da NASA acaba de encontrar vestígios fortes de que a vida possa ter existido em um passado remoto.

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Mas, para quem não é da área, entender o que essas descobertas significam pode ser um desafio. Para simplificar o assunto, o professor de astrofísica Ersin Göğüş, da Sabancı University, em Istambul, explicou o que o Perseverance encontrou e por que os cientistas estão tão empolgados. Suas análises trazem luz sobre a importância das descobertas.

O trabalho do astrofísico nos ajuda a entender não apenas os vestígios, mas também por que a busca por vida alienígena é tão complexa. A paciência e a metodologia científica são cruciais para desvendar os segredos de Marte e de seu passado remoto.

O ambiente marciano e sua semelhança com a Terra

O planeta vermelho compartilha várias semelhanças com a Terra, o que o torna um local ideal para a procura por vida. Por exemplo, o dia em Marte dura 24 horas e 40 minutos, um período muito próximo ao nosso. Seu ano, no entanto, é bem mais longo, com duração de cerca de dois anos terrestres.

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Marte também possui um eixo de inclinação de 25,2° no plano orbital, semelhante aos 23,5° da Terra. Essa inclinação garante que o planeta também tenha estações do ano como o nosso. A sonda Mariner 9 já confirmou que, no passado, o planeta vermelho teve água líquida em sua superfície. Isso reforça a hipótese de que o planeta foi habitável em um passado distante.

Atualmente, o clima nas regiões equatoriais pode chegar a 20°C durante o dia, mas cai drasticamente para -70°C ao cair da noite. Essa variação extrema acontece devido à ausência de uma atmosfera densa, que não permite ao planeta reter o calor solar.

Se Marte tivesse uma atmosfera mais espessa, os cientistas acreditam que seu clima seria muito mais complexo, como o da Terra, o que aumentaria ainda mais a probabilidade da existência de vida.

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Os vestígios descobertos pelo rover

A principal hipótese é que, se a vida existiu em Marte, foi em um passado remoto, quando o planeta era mais quente e úmido. A sonda Perseverance, que significa “perseverança” em português, fortalece essa ideia com suas descobertas recentes.

Em 2021, o rover pousou na Cratera de Jazero, que se acredita ter sido um antigo lago há 4 bilhões de anos. Desde então, a sonda tem investigado a composição química das rochas da superfície, e os resultados foram divulgados na revista Nature.

O Perseverance encontrou uma quantidade incomum de matéria orgânica nas rochas, além de minerais como fosfato de ferro, sulfato de ferro e argila oxidada. O que mais impressionou os cientistas foi a presença de “nódulos” contendo esses três elementos juntos, algo que se assemelha muito às condições que teriam dado origem às primeiras formas de vida na Terra.

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A matéria orgânica encontrada estava mais concentrada em áreas com minerais menos oxidados, o que sugere um ambiente propício para processos biológicos. As descobertas são animadoras, mas ainda não confirmam a existência de vida extraterrestre.

O que vem pela frente?

Apesar de todas as evidências, ainda é muito cedo para afirmar que a vida existiu em Marte. As descobertas, embora fortes, precisam de análises mais aprofundadas. Se a vida marciana for confirmada, os pesquisadores terão um longo caminho a percorrer.

O primeiro passo seria entender que tipo de vida é essa e como ela se formou. O segundo desafio, e talvez o mais complexo, seria descobrir por que essa vida desapareceu em vez de evoluir e se tornar mais complexa, como aconteceu na Terra. A busca por esses segredos continua, e os cientistas estão cada vez mais esperançosos em encontrar a resposta.

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