A Lufthansa informou nesta sexta-feira (1º) que encontrou o Oscar do cineasta russo Pavel Talankin, extraviado durante um voo entre Nova York e Frankfurt. A estatueta havia sumido na quarta-feira (29), depois de o diretor ser obrigado por agentes da Transportation Security Administration (TSA) a despachar a peça em uma caixa de papelão no aeroporto John F. Kennedy.
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Segundo o site especializado Deadline, o filme dirigido por Talankin e por David Borenstein, “Um Zé Ninguém Contra Putin”, foi o vencedor da categoria de Melhor Documentário no Oscar 2026, realizado em 15 de março em Los Angeles.
Agentes da TSA, órgão responsável pela segurança em aeroportos dos Estados Unidos, avaliaram que a estatueta poderia ser usada como arma. Por isso, o cineasta foi orientado a despachá-la na bagagem do avião. Ao desembarcar em Frankfurt, no entanto, a peça dourada não estava entre os pertences que chegaram à Alemanha.
Na sexta-feira, a Lufthansa informou que a estatueta foi encontrada e que estava coordenando a entrega pessoal ao cineasta, além de dar continuidade às investigações sobre o ocorrido. “Podemos confirmar que a estátua do Oscar foi localizada e está em segurança sob nossos cuidados em Frankfurt”, afirmou a companhia em comunicado obtido pelo Hollywood Reporter. A empresa também pediu desculpas a Talankin pelo transtorno e disse que conduz uma “revisão interna das circunstâncias”.
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Caso ganhou repercussão após post de Borenstein no Instagram
O caso só veio a público depois que David Borenstein, codiretor do filme baseado em Copenhague, na Dinamarca, publicou no Instagram a história do Oscar perdido. Em sua publicação, Borenstein incluiu uma foto de Talankin com a estatueta dependurada em uma bolsa de tela presa ao cinto antes do embarque, uma imagem da caixa em que o objeto foi acondicionado e o comprovante de bagagem extraviada.
“Um agente da TSA disse que o Oscar poderia ser usado como arma e não permitiu que Pavel o levasse a bordo. Pavel não tinha bagagem para despachar, então a TSA colocou o Oscar em uma caixa e o enviou para o porão do avião. A peça nunca chegou em Frankfurt”, escreveu Borenstein na rede social, segundo a CBC News. O codiretor questionou ainda se Talankin “teria sido tratado da mesma forma se fosse um ator famoso ou um falante fluente de inglês”.
Em declaração ao Deadline, Talankin disse já ter voado pelo menos dez vezes com o Oscar sem nenhum problema antes do incidente. Ao desembarcar em Frankfurt na manhã de quinta-feira, ironizou o ocorrido: “É totalmente compreensível que considerem um Oscar como arma”.
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Sobre o filme
“Um Zé Ninguém Contra Putin” venceu o prêmio de Melhor Documentário Longa-Metragem na 98ª cerimônia do Oscar, em 15 de março de 2026, no Dolby Theatre, em Hollywood. O filme acompanha Talankin, que era professor e coordenador de atividades em uma escola de uma pequena cidade na cordilheira dos Urais, na Rússia, enquanto registrava as ações de doutrinação nacionalista promovidas pelo Kremlin entre seus alunos durante a guerra na Ucrânia.
As gravações foram feitas em segredo, e Talankin enviou os arquivos para Borenstein, na Dinamarca, por meio de um aplicativo criptografado. O cineasta russo deixou o país no verão europeu de 2024.
No discurso de aceitação do prêmio, Talankin, falando em russo por meio de tradutor, disse: “Em nome do nosso futuro, em nome de todas as nossas crianças, parem todas essas guerras agora”.
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Por Jean Lindemute
