Adolescentes que contam com apoio emocional e supervisão adequada dos pais têm até 10 vezes menos chances de se envolver com a criminalidade. É o que revela um estudo da Universidade de São Paulo (USP), realizado com dois mil jovens em Ribeirão Preto e Sertãozinho (SP), destacando a importância do ambiente familiar no desenvolvimento do autocontrole e na prevenção de comportamentos de risco.

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A pesquisa faz parte de um projeto internacional que abrange 44 países e mostrou que monitoramento parental aliado a vínculos afetivos reduz significativamente infrações como brigas, porte ilegal de armas, furtos e vandalismo.

“O autocontrole é a regulação do comportamento social”, explica a psicóloga Ana Beatriz Schiavone, autora do estudo.

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Como o autocontrole protege os jovens

Os adolescentes foram divididos em quatro perfis, considerando dois fatores principais: impulsividade e busca por sensações. Os resultados foram contundentes: 30% dos jovens com alto autocontrole apresentaram melhores relações familiares e menor envolvimento em infrações.

“Adolescentes impulsivos e que buscam emoções intensas têm maior propensão a cometer delitos”, alerta Schiavone.

Esse risco, no entanto, pode ser reduzido significativamente quando o jovem encontra equilíbrio emocional dentro de casa.

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Supervisão parental faz toda a diferença

O estudo avaliou percepções como “um adulto sabe onde estou quando saio” e “tenho apoio emocional dos meus pais”. Os melhores resultados surgiram em lares com equilíbrio entre afeto e monitoramento — o que os especialistas chamam de parentalidade positiva.

Jovens com acompanhamento constante apresentaram até cinco vezes menos casos de posse ilegal de armas. Em situações mais críticas, como envolvimento com crimes, a diferença foi de até dez vezes.

“Supervisionar não é controlar, é acompanhar — inclusive no ambiente digital”, observa Marina Bazon, coautora do estudo.

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As infrações mais comuns entre os jovens

Entre os entrevistados, os comportamentos de risco mais citados foram:

  • Brigas em grupo: 13,9%
  • Furtos: 11%
  • Porte de armas: 9,8%

O perfil influencia os atos: buscadores de sensações tendem a buscar experiências intensas; impulsivos, por outro lado, se envolvem mais em confrontos e atos de vandalismo. Entre os de baixo autocontrole, pichações e depredações foram recorrentes.

Gênero, classe social e perfil de risco

Meninos concentraram-se nos grupos de maior risco, enquanto meninas predominaram nos perfis com maior autocontrole. Curiosamente, não houve diferenças marcantes entre jovens de escolas públicas e privadas ou entre faixas de renda, mostrando que o fator familiar é mais determinante que o contexto socioeconômico.

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Mesmo entre adolescentes com alto autocontrole, algumas infrações ocorreram — mas com menor frequência, o que reforça que nenhum jovem está totalmente imune, embora o preparo emocional ajude a evitar deslizes.

O novo desafio: adolescência digital

A supervisão no mundo virtual também entrou no radar da pesquisa. Saber o que o jovem faz online é hoje tão importante quanto acompanhar suas ações presenciais.

Cerca de 3,4% dos adolescentes admitiram já ter cometido algum tipo de crime digital, como invasão de sistemas. A recomendação é clara: diálogo sobre ética digital deve começar cedo, com limites tecnológicos e educação emocional.

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Como fortalecer o vínculo com os filhos

Mais do que tempo juntos, a qualidade da relação familiar é o que conta. Frases como “tenho uma ótima relação com meus pais” foram predominantes entre os jovens com alto autocontrole.

A receita, segundo os especialistas, é simples: combine afeto com acompanhamento.

Essa combinação tem o poder de fortalecer a autorregulação emocional e reduzir significativamente o envolvimento com comportamentos de risco.

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