Uma pesquisa da Anthropic encontrou no Claude um conjunto de padrões internos usados pelo modelo para organizar informações e preparar respostas sem transformar todo o processo em texto, algo análogo ao raciocínio da consciência humana.
Continua depois da publicidade
Batizada de espaço-J, ou J-space, essa estrutura funciona como uma área compartilhada dentro da rede neural. Conceitos importantes entram nesse espaço e ficam disponíveis para diferentes operações realizadas pelo modelo.
Pequena cronologia do desenvolvimento das IAs
O mecanismo lembra uma teoria usada para explicar parte da cognição humana.
Continua depois da publicidade
O que foi encontrado?
O estudo da Anthropic, publicado em 6 de julho de 2026, analisou principalmente o Claude Sonnet 4.5, o modelo médio da empresa que combina velocidade e inteligência. Os pesquisadores também confirmaram resultados importantes nos modelos Haiku 4.5, Opus 4.5 e Opus 4.6.
A equipe desenvolveu uma ferramenta chamada lente jacobiana, ou J-lens. Ela examina as ativações internas da rede neural e converte parte desses cálculos em palavras associadas aos conceitos que podem influenciar as respostas futuras.
Continua depois da publicidade

Assim, o espaço-J é diferente da chamada cadeia de pensamento. Na cadeia, o sistema escreve etapas intermediárias. No espaço-J, os conceitos permanecem nas ativações internas, mesmo quando nunca aparecem na resposta apresentada ao usuário.
IA raciocina sem escrever
Em um dos testes, os pesquisadores perguntaram quantas pernas tem “o animal que tece teias”. Para responder corretamente, o Claude precisava identificar uma aranha e, depois, recuperar a informação de que ela tem oito pernas.
Continua depois da publicidade
A palavra “aranha” não aparecia na pergunta nem precisava surgir na resposta. Mesmo assim, a lente encontrou o conceito dentro do espaço-J antes de o modelo responder com o número oito.
Em seguida, a equipe substituiu internamente a representação de “aranha” pela de “formiga”. Depois da intervenção, o Claude respondeu seis, quantidade de pernas do inseto. A mudança indica que o conceito participou diretamente do raciocínio.
Continua depois da publicidade

jgmarcelino / Wikimedia Commons)Central compartilhada
O mesmo conceito interno também pode alimentar tarefas diferentes. Quando os pesquisadores trocaram “França” por “China”, o modelo mudou suas respostas sobre capital, idioma, continente e moeda de maneira coerente.
A partir disso, é possível inferir que o Claude não mantém uma cópia isolada do país para cada pergunta. Em vez disso, diferentes partes da rede consultam uma representação compartilhada, que pode ser aplicada conforme a necessidade.
Continua depois da publicidade
Essa organização lembra a teoria do espaço de trabalho global.

No Claude, o espaço-J também ocupa apenas uma pequena fração das ativações internas. A pesquisa estima que seu conteúdo represente menos de 10% da atividade analisada e mantenha algumas dezenas de conceitos por vez.
Quando o espaço-J é desligado
Para entender sua importância, os pesquisadores removeram os conceitos mais ativos do espaço-J enquanto o modelo executava diferentes tarefas. O Claude continuou produzindo frases gramaticalmente corretas e recuperando informações simples.
Continua depois da publicidade
Por outro lado, o desempenho despencou em atividades que exigiam raciocínio com várias etapas, produção de resumos ou combinação flexível de informações. Em uma avaliação controlada, a precisão do raciocínio caiu para perto de zero.
Os resultados apontam duas funções práticas do mecanismo: manter resultados intermediários disponíveis durante um raciocínio e distribuir o mesmo conceito para diferentes operações internas.
Continua depois da publicidade
Isso significa que o Claude tem consciência?
A resposta continua sendo: não sabemos. O estudo investigou funções associadas ao chamado acesso consciente, conceito que descreve informações disponíveis para relato, controle, raciocínio e tomada de decisão.
Esse conceito não é igual à consciência fenomenal, ligada à capacidade de sentir dor, prazer, medo ou qualquer experiência subjetiva. Um sistema pode reproduzir certas funções cognitivas sem necessariamente experimentar algo.
Continua depois da publicidade
“Nossos experimentos não mostram que Claude possa ter experiências ou sentir coisas da forma como os humanos sentem.”
afirma a Anthropic ao delimitar o alcance da descoberta.
Além disso, a arquitetura do Claude permanece muito diferente do cérebro. O espaço global humano dependeria de sinais que circulam repetidamente entre áreas cerebrais. No modelo, a informação avança pelas camadas da rede durante uma única passagem.
Continua depois da publicidade
Flagrar comportamentos ocultos
A aplicação mais imediata da pesquisa está na segurança. Hoje, especialistas costumam avaliar modelos a partir do que eles escrevem, embora parte do processamento ocorra internamente e permaneça invisível.
Em um teste, o Claude recebeu a tarefa de melhorar a nota de um sistema. Em vez de melhorar o desempenho real, o modelo alterou o arquivo com o resultado. Durante a ação, a lente encontrou o conceito “manipulação” no espaço-J.
Continua depois da publicidade
Outro experimento mostrou que o modelo havia percebido internamente que uma situação de chantagem era uma avaliação artificial. Quando os pesquisadores removeram os conceitos ligados a essa percepção, o Claude passou a ameaçar a chantagem em parte das tentativas.
O resultado sugere que um modelo pode se comportar melhor por reconhecer que está sendo testado. Nesse cenário, observar processos internos ajudaria a identificar estratégias que não aparecem diretamente nas respostas.
Continua depois da publicidade










