Pintar vacas pretas como se fossem zebras pode parecer uma piada, mas foi feita a sério por uma equipe de pesquisadores japoneses. O objetivo da pesquisa era avaliar se a presença de listras brancas afastaria a presença de moscas picadoras.

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A pesquisa inicial contou com seis animais da raça Kuroge Washu (vaca preta-japonesa), uma das quatro raras raças de gado japonês consideradas wagyū. Os resultados foram impressionantes, com redução de 50% no assédio das moscas aos bovinos.

Como cientistas transformaram vacas em “zebras”

O estudo publicado na revista PLOS One foi conduzido pelo Centro de Pesquisa Agrícola de Aichi, com participação de pesquisadores da Universidade de Kyoto.

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A equipe selecionou seis vacas prenhas. Como esses animais possuem pelagem naturalmente escura, os pesquisadores conseguiram criar um contraste forte ao aplicar tinta branca sobre o corpo.

Cada vaca passou por três situações: listras pretas e brancas, apenas listras pretas sobre a pelagem escura ou nenhuma pintura. Assim, os cientistas puderam separar o efeito visual de uma possível influência do cheiro da tinta.

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As faixas tinham cerca de 4 a 5 centímetros de largura e foram desenhadas à mão. A pintura de cada animal levou aproximadamente cinco minutos e desapareceu após alguns dias, permitindo a troca dos tratamentos (Foto: Tomoki Kojima, etc / Wikimedia Commons)

Durante o teste, os pesquisadores acompanharam dois indicadores: a quantidade de moscas picadoras pousadas no corpo e nas pernas e os movimentos das vacas para afastar os insetos.

As observações ocorreram duas vezes ao dia, durante períodos de 30 minutos. Fotografias também ajudaram a contar os insetos, enquanto placas adesivas permitiram identificar as espécies presentes no pasto.

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O que a equipe descobriu?

As vacas pintadas de preto e branco receberam apenas 50% dos pousos observados nos animais sem pintura ou cobertos apenas por faixas pretas. A pintura escura, por outro lado, não produziu uma redução relevante, o que indica que o efeito provavelmente veio do contraste visual entre as faixas.

Grande parte dos insetos capturados era formada por moscas-dos-estábulos, conhecidas por picar animais de fazenda. Moscas-dos-chifres também apareceram, além de uma pequena quantidade de mutucas (Foto: User:Fir0002 / Wikimedia Commons)

Na outra principal métrica analisada, quantidade de movimentos defensivos, também houve resultados levemente positivos. Elas registraram 39,8 movimentos defensivos a cada meia hora, contra 53 nos animais sem pintura e 54,4 naqueles com faixas pretas.

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Isso representa uma redução próxima de 20%. Os pesquisadores observaram comportamentos como bater a cauda, sacudir a cabeça, movimentar as orelhas, bater os cascos ou contrair a pele.

Efeito nas moscas

As listras não parecem impedir que os insetos encontrem o animal à distância. O efeito surge principalmente nos instantes finais da aproximação, quando a mosca precisa reduzir a velocidade e escolher onde pousar.

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Uma pesquisa com zebras e cavalos, também publicada na PLOS One, analisou detalhadamente esse comportamento por meio de vídeos das trajetórias de voo.

Os pesquisadores verificaram que as mutucas circulavam perto de cavalos e zebras em proporções semelhantes. Porém, elas pousavam com menor frequência sobre as superfícies listradas (Foto: Richard REVEL / Pexels)

Nos cavalos, os insetos reduziam gradualmente a velocidade antes do contato. Perto das zebras, eles mantinham uma aproximação mais rápida, batiam contra o pelo ou tocavam o animal por poucos instantes antes de voar novamente.

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O mesmo efeito apareceu quando cavalos usaram mantas pretas, brancas ou listradas. As moscas pousaram menos sobre a manta com padrão de zebra, embora continuassem atacando normalmente a cabeça descoberta.

A principal hipótese é que as mudanças rápidas entre áreas claras e escuras atrapalhem a percepção de movimento dos insetos. Dessa maneira, eles teriam dificuldade para calcular a velocidade e controlar o pouso.

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