Pintar vacas pretas como se fossem zebras pode parecer uma piada, mas foi feita a sério por uma equipe de pesquisadores japoneses. O objetivo da pesquisa era avaliar se a presença de listras brancas afastaria a presença de moscas picadoras.
Continua depois da publicidade
A pesquisa inicial contou com seis animais da raça Kuroge Washu (vaca preta-japonesa), uma das quatro raras raças de gado japonês consideradas wagyū. Os resultados foram impressionantes, com redução de 50% no assédio das moscas aos bovinos.
Como cientistas transformaram vacas em “zebras”
O estudo publicado na revista PLOS One foi conduzido pelo Centro de Pesquisa Agrícola de Aichi, com participação de pesquisadores da Universidade de Kyoto.
Continua depois da publicidade
A equipe selecionou seis vacas prenhas. Como esses animais possuem pelagem naturalmente escura, os pesquisadores conseguiram criar um contraste forte ao aplicar tinta branca sobre o corpo.
Cada vaca passou por três situações: listras pretas e brancas, apenas listras pretas sobre a pelagem escura ou nenhuma pintura. Assim, os cientistas puderam separar o efeito visual de uma possível influência do cheiro da tinta.
Continua depois da publicidade

Durante o teste, os pesquisadores acompanharam dois indicadores: a quantidade de moscas picadoras pousadas no corpo e nas pernas e os movimentos das vacas para afastar os insetos.
As observações ocorreram duas vezes ao dia, durante períodos de 30 minutos. Fotografias também ajudaram a contar os insetos, enquanto placas adesivas permitiram identificar as espécies presentes no pasto.
Continua depois da publicidade
O que a equipe descobriu?
As vacas pintadas de preto e branco receberam apenas 50% dos pousos observados nos animais sem pintura ou cobertos apenas por faixas pretas. A pintura escura, por outro lado, não produziu uma redução relevante, o que indica que o efeito provavelmente veio do contraste visual entre as faixas.

Na outra principal métrica analisada, quantidade de movimentos defensivos, também houve resultados levemente positivos. Elas registraram 39,8 movimentos defensivos a cada meia hora, contra 53 nos animais sem pintura e 54,4 naqueles com faixas pretas.
Continua depois da publicidade
Isso representa uma redução próxima de 20%. Os pesquisadores observaram comportamentos como bater a cauda, sacudir a cabeça, movimentar as orelhas, bater os cascos ou contrair a pele.
Efeito nas moscas
As listras não parecem impedir que os insetos encontrem o animal à distância. O efeito surge principalmente nos instantes finais da aproximação, quando a mosca precisa reduzir a velocidade e escolher onde pousar.
Continua depois da publicidade
Uma pesquisa com zebras e cavalos, também publicada na PLOS One, analisou detalhadamente esse comportamento por meio de vídeos das trajetórias de voo.

Nos cavalos, os insetos reduziam gradualmente a velocidade antes do contato. Perto das zebras, eles mantinham uma aproximação mais rápida, batiam contra o pelo ou tocavam o animal por poucos instantes antes de voar novamente.
Continua depois da publicidade
O mesmo efeito apareceu quando cavalos usaram mantas pretas, brancas ou listradas. As moscas pousaram menos sobre a manta com padrão de zebra, embora continuassem atacando normalmente a cabeça descoberta.
A principal hipótese é que as mudanças rápidas entre áreas claras e escuras atrapalhem a percepção de movimento dos insetos. Dessa maneira, eles teriam dificuldade para calcular a velocidade e controlar o pouso.
Continua depois da publicidade











