Após quase um século e meio de ausência, as tartarugas-gigantes voltaram a caminhar pela Ilha Floreana, no arquipélago das Ilhas Galápagos. A reintrodução começou na última sexta-feira (20), com a soltura de 158 animais juvenis.
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A iniciativa faz parte de um plano que pretende levar 700 exemplares à ilha. Os animais têm entre oito e 13 anos e passaram por quarentena antes de serem transferidos; cada um recebeu um chip de identificação.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a presença das tartarugas é considerada decisiva para a dinâmica natural da ilha, por contribuírem com a dispersão de sementes e a regeneração da vegetação.
Reconstrução da linhagem
As tartarugas soltas possuem de 40% a 80% do material genético da Chelonoidis niger, espécie que habitava Floreana até o século 19. Quanto ao desaparecimento da espécie, ele ocorreu após a introdução de mamíferos invasores, a caça de baleias, incêndios e a exploração humana.
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Criados em uma instalação do Parque Nacional de Galápagos, os animais selecionados têm forte vínculo genético com a linhagem original.
O governo aposta que o repovoamento permitirá recuperar, com o tempo, o perfil genético associado à população histórica da ilha. Um levantamento da National Geographic aponta que o arquipélago mantém hoje 13 espécies vivas de tartarugas em outras ilhas e que exemplares adultos podem ultrapassar 250 quilos. Enquanto isso, o indivíduo mais longevo conhecido viveu até 175 anos.
Adaptação e desafios
A soltura ocorreu durante o período de chuvas sazonais, considerado adequado para a adaptação dos juvenis. Em Floreana, as tartarugas passam a conviver com uma pequena população humana e espécies nativas. Espécies invasoras continuam sendo um obstáculo para a conservação.
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A reintrodução das tartarugas integra um programa mais amplo que prevê trazer de volta outras 12 espécies endêmicas à ilha.







