O azeite produzido pela Fattoria Roman, de Campo Erê, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, conquistou uma importante premiação internacional e colocou o nome do município entre os destaques da olivicultura mundial. A empresa recebeu a medalha de prata no concurso internacional IOOC Anatolian, realizado na Turquia e considerado um dos mais prestigiados do setor.

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A conquista é resultado de uma trajetória iniciada há mais de uma década pela família Roman, que apostou no cultivo de oliveiras como alternativa para diversificar a renda da propriedade rural. Marcos Roman, idealizador do projeto e fundador da Fattoria Roman, iniciou projeto incentivado por uma pesquisa que tinha como objetivo encontrar localidades em Santa Catarina com potencial para produção de azeitonas.  

— Meu pai, Marcos, queria que trazer diversidade para nossa produção, além de aumentar a renda familiar. Ele sempre se preocupou com a saída das gerações mais jovens do campo e queria muito que eu continuasse exercendo a atividade. Foi isso que motivou o início do projeto — conta o proprietário, Matheus Henrique Roman.

O primeiro pomar foi implantado em 2014, com 5,5 hectares. Dois anos depois, diante do bom desenvolvimento das plantas, a família ampliou o investimento e implantou um segundo pomar de 12,5 hectares.

Apesar do planejamento inicial prever a primeira colheita no quinto ano, a produção só aconteceu três anos depois do esperado.

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— A gente tinha expectativa de produzir no quinto ano, mas a primeira produção veio apenas no oitavo ano. Houve mudanças climáticas, erros de manejo e também problemas com geadas que afetaram as plantas mais jovens — explica.

Mesmo após superar os desafios, a produção ainda não atingiu o volume inicialmente projetado. Em 2026, a Fattoria Roman registrou um recorde histórico, com cerca de 4 mil litros de azeite produzidos.

Além dos desafios climáticos e produtivos, o setor enfrenta outro obstáculo: a concorrência desleal.

— Existe um mercado muito complicado no mundo do azeite. Muitas marcas comercializam produtos adulterados ou fora de conformidade como se fossem extravirgem. Isso prejudica quem trabalha de forma séria e segue todos os padrões de qualidade — afirma Matheus.

Medalha conquistada entre mais de 500 marcas

A participação no concurso internacional aconteceu após uma avaliação independente do azeite produzido pela empresa. Uma especialista do setor recomendou a inscrição do produto após analisar suas características sensoriais e técnicas.

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O resultado surpreendeu positivamente a família.

— Recebemos a notícia pelo WhatsApp. Quando acessamos a lista dos premiados, nosso azeite estava lá. Foi uma grande emoção — relembra.

Ao todo, o concurso reuniu 521 marcas de 21 países. A Fattoria Roman conquistou a medalha de prata na categoria blend, destinada a azeites produzidos a partir da combinação de diferentes variedades e estágios de maturação das azeitonas.

— Para nós, a premiação representa uma validação do trabalho que fazemos. Ela mostra que estamos no caminho certo e reforça nossa autoridade e credibilidade dentro do setor.

Qualidade construída nos detalhes

O azeite premiado é caracterizado por notas de frutas verdes, além de apresentar características equilibradas de amargor e picância, atributos valorizados em concursos internacionais.

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Todo o processo produtivo segue rigorosos controles de qualidade, desde a floração das oliveiras até o envase final.

— O cuidado começa muito antes da colheita. A gente monitora a saúde das plantas, faz o controle de doenças, colhe no momento ideal e processa as azeitonas em menos de 12 horas. Tudo influencia no resultado final — explica.

Durante a extração, a temperatura é mantida abaixo de 27 graus para preservar as características do azeite extravirgem. Após a produção, o produto ainda passa por filtragem e armazenamento controlado.

— Não existe segredo mirabolante. O desafio é fazer o básico muito bem feito, cuidando de cada detalhe todos os dias.

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Reconhecimento que ultrapassa fronteiras

Embora a empresa já comercializasse toda sua produção antes mesmo da premiação, a medalha trouxe maior visibilidade para a marca e para a região.

— A medalha sozinha não vende produto, mas ela abre portas. Ela ajuda quando participamos de eventos, recebemos visitantes e mostramos nosso processo. As pessoas passam a enxergar nosso trabalho com ainda mais confiança.

Para Matheus, o reconhecimento internacional vai além da marca.

— É uma conquista que leva o nome de Campo Erê e de Santa Catarina para o mundo. Dentro da olivicultura, é um reconhecimento muito importante para a nossa região.

A Fattoria Roman também investe em experiências gastronômicas e visitas guiadas, aproximando consumidores do universo da produção de azeites artesanais e fortalecendo a cultura da olivicultura no Oeste catarinense.

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