Fazenda paulista tira do topo líder histórica do leite no Brasil após 12 anos

Levantamento mostra que a Fazenda São José assumiu a liderança nacional após 12 anos de domínio da Colorado; produção das 100 maiores propriedades cresceu 8% em 2025

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Estudo da MilkPoint e da Abraleite revela mudança no topo do setor e mostra crescimento da produção entre as maiores fazendas brasileiras (Foto: Banco de Imagens)

Depois de 12 anos consecutivos na liderança, a Fazenda Colorado, de Araras (SP), deixou o topo do principal ranking da pecuária leiteira brasileira. A nova número um do país é a Fazenda São José, de Tapiratiba (SP), que assumiu a primeira posição no Levantamento Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite).

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A troca de posições acontece em um momento considerado histórico para o setor. Pela primeira vez desde a criação do ranking, as duas propriedades mais bem colocadas superaram a marca de 100 mil litros de leite comercializados por dia na média anual.

Os números mostram também que a produção segue em ritmo acelerado entre as maiores fazendas do país. Em 2025, os 100 maiores produtores comercializaram 1,29 bilhão de litros de leite, um crescimento de 8% em relação ao levantamento anterior. A produção média diária das propriedades chegou a 35.392 litros, avanço de 8,7%.

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O desempenho foi superior ao observado na cadeia leiteira nacional como um todo. Segundo estimativas da equipe MilkPoint Mercado, a produção formal de leite cresceu 107,4% no ano passado, enquanto a produção total avançou cerca de 81,2%.

Quando a comparação é feita com a primeira edição do ranking, em 2001, a evolução é ainda mais evidente. Ao longo desse período, a produção das propriedades que compõem o levantamento aumentou 444%.

Saiba mais sobre a produção de leite brasileira

Minas lidera entre os estados

Mesmo com a mudança no topo entre as fazendas, Minas Gerais continua sendo o principal polo do leite brasileiro. O estado reúne 39 propriedades entre as 100 maiores do país. Na sequência aparecem Paraná, com 23 fazendas, e São Paulo, com 12.

O protagonismo paranaense se destaca especialmente em nível municipal. Carambeí voltou a ocupar a primeira posição nacional, com oito propriedades no ranking, ultrapassando Castro, que aparece com sete. Sozinhas, as fazendas de Carambeí responderam por 9% de todo o volume produzido pelos integrantes do Top 100.

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Regionalmente, o Sudeste segue concentrando a maior parte da produção, com 53,3% do volume total registrado pelo levantamento. Já o Centro-Oeste foi a região que mais avançou no período, registrando crescimento de 16% frente ao ano anterior.

Confinamento avança nas maiores fazendas

O modelo de produção adotado pelos maiores produtores também vem passando por transformações. Em 2025, 85 das 100 fazendas do ranking operavam em sistema de confinamento total. Cinco anos antes, esse número era de 70 propriedades.

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A predominância da raça holandesa permanece praticamente absoluta. Ela está presente em 82% das fazendas listadas. O girolando, resultado do cruzamento entre gir e holandês, aparece em segundo lugar, representando 14% das propriedades.

Apesar da força do Sudeste em volume produzido, a maior produtividade por animal foi registrada no Sul do país. A média chegou a 40,47 litros por vaca ao dia, acima da média nacional do ranking, de 36,31 litros.

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Rentabilidade menor não freia planos de expansão

Os dados apontam que produzir leite nas maiores fazendas do país custou, em média, R$ 2,31 por litro em 2025. Em contrapartida, essas propriedades receberam cerca de R$ 2,77 por litro comercializado, valor 23% superior ao obtido pelos produtores de menor porte.

Ainda que quase metade dos entrevistados (48%) tenha relatado piora na rentabilidade em comparação com 2024, o cenário não reduziu os planos de crescimento. Entre os participantes do levantamento, 91% afirmaram que pretendem ampliar a produção nos próximos três anos. Desse grupo, 19% projetam expandir o volume produzido em mais de 50%.