A ExpoGestão 2026 terminou na última quinta-feira (21), mas para o público ficam os ensinamentos, principalmente aos líderes que se inspiram no evento na busca de aprimorar a performance. E ninguém melhor do que um tenista que esteve entre os 25 melhores do mundo para compartilhar ensinamentos que vão desde a valorização da equipe até a estratégia para vencer grandes adversários. Fernando Meligeni, acompanhado do jornalista André Kfouri, foi o protagonista do segundo dia do evento em palestra para cerca de mil pessoas no palco principal.
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A palestra “Alta performance: seja o expoente da sua própria jornada” é ministrada no formato talk show, num modelo que André Kfouri, jornalista da ESPN, faz as perguntas e Meligeni responde. Assim, o primeiro tema abordado por André junto ao tenista foi sobre a importância do espírito coletivo mesmo em um esporte individual.
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Meligeni destacou a importância dos departamentos de apoio ao tenista, como médico, físico, psicológico, técnico e tático. Todos são essenciais e na vitória todos se abraçam, é mais fácil. Mas foi diante de um momento difícil que ele teve uma de suas principais lições.
— Um dos momentos mais difíceis da minha carreira foi em um torneio em Estoril, em Portugal. Numa partida contra um atleta número cinco do mundo, nas quartas de final, eu erro uma bola e em um momento nervoso tento dar uma bolada no fundo de quadra, na tela. Mas calibrei mal, acertei um torcedor e fui desclassificado. Minha primeira reação foi pedir desculpas, saí vaiado de quadra e falei ao treinador “você vai ganhar a porcentagem” — relembra.
O que Meligeni queria naquele momento era garantir ao técnico que ele receberia o valor que lhe era devido, assumindo a responsabilidade pelo erro. Foi então que recebeu um ensinamento sobre equipe.
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— Ele me disse “não estou acreditando que você está me falando isso. O treinador, o time, está junto nas horas boas e ruins. O que eu preciso é que você entenda a importância disso aqui e não que me pague mais ou menos”. Naquele dia entendi que eu poderia ser o número 25, 30 do mundo, mas eu só seria se tivesse um time daquele tamanho do meu lado. Esse foi o ano mais importante da minha carreira, o momento mais duro, que meses depois me fez entender e jogar o melhor tênis — comenta.
Zona de conforto
Outro ponto abordado na palestra foi a questão da “zona de conforto” que ocorre nas mais diversas áreas da vida, inclusive no mundo corporativo. Quando o profissional, ou atleta, estão confortáveis naquele patamar e não buscam dar um passo adiante.
Na carreira de Fernando Meligeni não foi diferente. Ele se viu diante um período em que tinha conseguido seu objetivo, estar no top 100 do tênis mundial. Quando isso ocorreu, por um, dois, anos, Fernando lembra que começou a administrar a carreira, se sentia confortável, fazendo a gestão do que tinha conquistado e planejando o futuro. Isso, até ser provocado pelo treinador.
— Ele disse que tinha uma proposta para me fazer e falou que queria mudar um fundamento meu. O meu backhand era fraco, mas me levava a posição 80 do mundo. Mas naquele momento ele disse que queria mudar o golpe em um mês, antes do Austrália Open. Mas, tinha um problema, na visão dele. Eu poderia jogar um tênis que eu nunca tinha jogado, mas ao mesmo tempo existia a possibilidade de perder a confiança e desaparecer do circuito — relembra.
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Fernando lembra que o treinador deixou a decisão nas mãos do tenista. Ele ainda chegou a devolver a questão ao técnico: “Você faria?”. Ao receber a resposta positiva, não teve dúvida, topou o desafio.
— Decidi fazer essa operação e foi a melhor mudança da minha carreira, é onde eu fiz toda a diferença de ser um jogador entre os 100 do mundo, mas sempre tocando perto de 90 do mundo, para acabar sendo 25 do mundo — conclui.






