O ciclo de vida que ocorre dentro de um figo parece o roteiro de um filme de ficção científica da natureza. Tudo começa quando uma vespa fêmea decide entrar no fruto para garantir um local seguro para os seus futuros descendentes.

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Essa jornada, no entanto, é um caminho sem volta para a mãe, que acaba fertilizando o vegetal enquanto busca abrigo. Esse processo é essencial para que o figo deixe de ser apenas uma flor invertida e se transforme em semente.

União necessária para a vida

A estrutura interna do figo funciona como um esconderijo perfeito para o pólen, mas dificulta o acesso de polinizadores comuns. Assim, a planta evoluiu para permitir apenas a entrada da vespa-do-figo, que possui o tamanho exato para atravessar a pequena fresta.

Uma vez lá dentro, o inseto cumpre sua função biológica e garante que a figueira produza novos frutos saudáveis no futuro. Certamente, sem essa colaboração mútua, ambas as espécies teriam dificuldades imensas para manter suas populações ativas e estáveis no ecossistema.

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Incubação e transformação interna

Embora a vespa ajude a planta, ela acaba sendo vítima de enzimas poderosas que dissolvem seu corpo após a polinização. Segundo Paulo Minatel Gonella, professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em entrevista ao G1, a digestão do inseto faz parte de um mecanismo de defesa, não de alimentação.

Enquanto isso, os ovos eclodem e os novos machos realizam a fecundação das fêmeas que ainda estão para sair do figo. Logo depois, esses machos abrem caminho para que as fêmeas escapem, permitindo que elas levem o pólen para outras figueiras da região.

Como funciona a colheita atual

Apesar de ser um fenômeno natural incrível, a produção em larga escala evita que as vespas entrem nos figos destinados ao mercado. Os agricultores utilizam mudas obtidas por estaquia, o que dispensa a necessidade de polinização por insetos para gerar os frutos.

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Além do mais, o cuidado com o ensacamento e a vigilância constante protegem a plantação de qualquer interferência externa indesejada. Dessa maneira, a tradição do cultivo do figo roxo permanece forte, oferecendo um alimento seguro e livre de resíduos biológicos aos compradores.

Concluindo, o figo não pratica a caça, mas sim uma defesa estratégica dentro de uma relação milenar com as vespas. Esse ciclo natural sustenta a biodiversidade e mostra como a vida pode ser complexa e surpreendente em cada detalhe.