Um dos quatro foragidos no caso do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos se entregou à polícia na manhã desta terça-feira (3). Todos eles viraram réus pelo crime e também por cárcere privado. Segundo a apuração da TV Globo, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
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Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, compareceu com a defesa à 12ª DP (Copacabana), onde o caso é investigado.
Outros três investigados seguiam foragidos até a última atualização desta reportagem. São eles:
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos;
- João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos;
- Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos.
- Há ainda um menor investigado. Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de mandado de apreensão contra ele.
Como se trata de um menor, a polícia desmembrou o inquérito e enviou uma representação ao MPRJ pedindo pela apreensão por fato análogo ao crime.
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Justiça negou habeas corpus
A Justiça do Rio de Janeiro já tinha negado habeas corpus, que serve para proteger o direito fundamental à liberdade de locomoção, garantindo que ninguém seja preso ou tenha a liberdade cerceada ilegalmente ou por abuso de poder, aos foragidos.
A TV Globo apurou que três dos quatro maiores de idade procurados pelo crime entraram com um recurso para suspender a prisão. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos.
Como o caso está em segredo de Justiça, não foi possível colher informações sobre se todos tinham pedido habeas corpus ou se um deles não entrou com recurso.
Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos foragidos, é filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa.
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O órgão está vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Na segunda-feira (2), a secretária Rosangela Gomes emitiu uma nota nas redes sociais. Leia na íntegra:
“Tomei conhecimento das graves denúncias envolvendo o filho do subsecretário Simonin. Recebo essas informações com profunda indignação e tristeza.
Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas, acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo combate a todo tipo de violência.
Jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens.
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Através do Governo do Estado do RJ, a Secretaria da Mulher já está prestando todo apoio jurídico e psicológico à adolescente e sua família.
Deixo aqui minha total solidariedade a esta jovem de 17 anos e à sua família.”
Posteriormente, o governo do estado emitiu uma nota.
“O Governo do Estado do Rio repudia veementemente o ato de extrema violência cometido contra uma adolescente em um apartamento em Copacabana. A Polícia Civil já concluiu a investigação e identificou os cinco autores dessa barbárie – quatro maiores e um menor de idade, que tiveram as prisões decretadas pela Justiça e estão foragidos. Todas as diligências estão em andamento para localizar e prender os envolvidos.
A Secretaria de Estado da Mulher irá prestar todo apoio psicológico à vítima e a sua família.
A Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos reafirma seu compromisso inegociável com a proteção da dignidade humana, com o respeito à vida e com a garantia de direitos da população fluminense.”
O que dizem os citados
A defesa de João Gabriel se pronunciou com a seguinte nota:
“A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu.
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A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação.”
A reportagem tenta contato com a defesa dos demais citados, mas não obteve retorno até a publicação.
Relembre o caso
Segundo o inquérito da 12ª DP, a vítima foi convidada por um dos adolescentes, o ex-namorado, para ir ao apartamento de um amigo dele, na noite de 31 de janeiro, na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Esse rapaz teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, a adolescente foi sozinha.
No elevador, o rapaz avisou que mais amigos estavam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que, segundo a vítima, ela recusou. Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o ex, outros quatro rapazes entraram no cômodo.
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A vítima relatou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem.
No entanto, segundo o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou, ainda, que levou tapas, socos e um chute na região abdominal. Ela tentou sair do quarto, mas foi impedida.
O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. Também foram descritos grupos de manchas nas regiões dorsal e glúteas.
Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.
Conheça os tipos de violência e como pedir ajuda
*Com informações do g1
