Fotos dos estragos provocados pelo terremoto de magnitude 7,8 que atingiu a Turquia e a Síria têm circulado o mundo. Nesta terça-feira (7), a imagem de um pai segurando a mão da filha de 15 anos morta sob escombros mostrou o desespero de moradores que aguardam resgate.

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A foto em que Mesut Hancer está ao lado do corpo da filha é uma das mais chocantes do terremoto, que já deixou mais de 7,3 mil mortos. Na cidade de Kahramanmaras, uma das cidades mais afetadas, Hancer aguardava o resgate.

Os bombeiros enfrentam a falta de ferramentas e, mesmo assim, prosseguiram com a dramática busca por sobreviventes, desafiando o frio, a chuva, ou a neve, assim como o risco de novos desabamentos.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, decretou estado de emergência por três meses nas 10 províncias do sudeste atingidas pelo terremoto.

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Bebê recém-nascida foi resgata de escombros na Síria. Ela estava ligada pelo cordão umbilical à mãe morta (Foto: RAMI AL SAYED / AFP)
Mesut Hancer aguarda resgate ao lado do corpo da filha (Foto: Adem Altan / AFP)
Moradores em escombros de prédios em Kahramanmaras, no sul da Turquia (Foto: Adem Altan / AFP)
Destroços em Gaziantep, na Turquia (Foto: Zein Al Rifai / AFP)

Bebê resgatada na Síria

Já em Jindires, uma cidade no noroeste da Síria duramente atingida pelo terremoto, equipes de resgate encontraram uma bebê, nascida sob os escombros e ainda ligado à mãe falecida pelo cordão umbilical.

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Esta menina é a única sobrevivente de uma família em que todos os membros morreram quando seu prédio de quatro andares desabou.

Nesta cidade perto da fronteira com a Turquia, as equipes de emergência encontraram os corpos de seu pai, Abdalá Mleihan, sua mãe, Aafra, suas três irmãs, seu irmão e sua tia na segunda-feira (6).

— Estávamos procurando por Abu Rudayna (apelido de Abdalá) e sua família. Primeiro encontramos sua irmã, depois sua esposa, depois Abu Rudayna, eles estavam juntos uns contra os outros — disse à AFP um parente da família, Khalil Sawadi, ainda em choque.

— Aí ouvimos um barulho e cavamos (…), limpamos o local e encontramos essa menininha, graças a Deus — conta.

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A recém-nascida ainda tinha o cordão umbilical preso à mãe.

— Cortamos, e minha prima levou o bebê para o hospital — continua.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, um homem é visto carregando um bebê nu e coberto de poeira pelos escombros, com o cordão umbilical ainda pendurado.

No frio gelado, outro joga um cobertor sobre a menina.

A bebê foi levada para um hospital na cidade vizinha de Afrin, onde foi colocada em uma incubadora e recebeu vitaminas.

— la chegou com os membros dormentes por causa do frio, sua pressão arterial estava baixa. Prestamos os primeiros socorros e a colocamos sob perfusão, porque ela ficou muito tempo sem ser alimentada —explicou o doutor Hani Maaruf à AFP.

A menina tem hematomas, mas seu estado de saúde é estável, segundo o médico.

— Ela provavelmente nasceu sete horas depois do terremoto” — acrescenta. — Pesa 3,175 kg, então nasceu dentro do prazo — diz.

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Com poucos recursos, os socorristas levaram horas para remover os escombros para retirar os corpos dos demais membros da família.

Eles foram colocados lado a lado na casa de um parente, cobertos com lençóis, aguardando o enterro.

Na sala, Khalil Sawadi lista seus nomes.

— Somos deslocados de Deir Ezzor. Abdullah é meu primo, e sou casado com a irmã dele — diz ele.

A família fugiu da região instável de Deir Ezzor, mais ao leste, acreditando que estaria segura em Jindires, uma cidade controlada desde 2018 por forças turcas e por grupos rebeldes pró-turcos.

Cerca de 50 casas desabaram nesta cidade síria, relativamente perto do epicentro do terremoto na Turquia, segundo um correspondente da AFP.

De acordo com os Capacetes Brancos, serviço de emergência que atua nas áreas rebeldes sírias, mais de 200 prédios foram destruídos neste setor.

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