Quando Sêneca disse que “não se pode acreditar que é possível ser feliz procurando a infelicidade alheia”, estava reafirmando uma das ideias centrais do estoicismo: a de que a verdadeira felicidade nunca virá do sofrimento causado a outra pessoa. Ser feliz deixando outra pessoa infeliz é uma incompatibilidade.
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A vida boa, feliz, para os estoicos era chamada de “eudaimonia”. Isso não é conseguido através de bens externos como ser rico, ter dinheiro, poder ou prestígio. A verdadeira felicidade vem de um estado de virtude, tranquilidade, paz e harmonia com a razão.
Quando alguém quer prejudicar outra pessoa, seja por inveja, seja por maldade, vingança ou qualquer tipo de ambição, está alimentando seus vícios internos e o ódio, o ressentimento e a ganância. Todas essas reações são chamadas de paixões que corroem o espírito e deixam quem pratica o ato infeliz.

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Em termos simples, quer dizer que uma pessoa que procura fazer outra infeliz, por qualquer motivo, está carregando dentro dela mesma um veneno. O indivíduo pode até conseguir prejudicar o próximo e ter um estado momentâneo de excitação pelo feito. Porém, logo depois vem a agitação, a desconfiança e a amargura. A felicidade que ela espera nunca chega e mesmo que chegue é o tipo de pessoa que já não sabe mais o que é ser feliz.
Há um outro ponto nesta frase: uma dimensão na qual Sêneca acreditava. Para ele, todos os seres humanos compartilham uma natureza racional, e fazem de certa forma, parte de um mesmo “corpo” comum. Ferir o outro para Sêneca é algo antinatural, muda a ordem das coisas, é como ferir a si mesmo e nunca vai trazer plenitude.
Um exemplo simples ajuda a entender. Imagine alguém que sabota um colega de trabalho para conseguir uma promoção. Mesmo que consiga o cargo, agora precisa viver olhando para trás, temendo ser descoberto, se sentindo ameaçado por quem possa fazer o mesmo com ele. A “vitória” vem embrulhada em ansiedade. A felicidade construída sobre a infelicidade do outro tem sempre essa base instável.
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No fundo, a frase é um convite a olhar para dentro: a felicidade genuína nasce do nosso caráter e da nossa relação saudável com os outros, não da destruição deles.
Você pode gostar de ver também a frase do dia da Psicologia: “o sonho é a satisfação de que o desejo se realize”.

