Uma biblioteca com 10 mil livros transformou um antigo galpão em Pinheiros, em São Paulo, em um refúgio em meio ao caos paulistano. Criado por dois arquitetos, o espaço mostra como livros ainda podem organizar uma rotina e até a forma de pensar.

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O acervo pertence aos arquitetos Andrea Vosgueritchian e Aldo Urbinati, sócios do Estúdio Tupi. A coleção, que começou como uma biblioteca em casa, reúne obras de arquitetura, arte, design e literatura, além de livros raros que ajudam a contar diferentes camadas da cultura impressa.

Sonho antigo

A ideia começou antes de o espaço existir em São Paulo. Durante os anos de doutorado na Inglaterra, o casal frequentava bibliotecas universitárias e passou a reunir livros que pareciam essenciais para a formação e o trabalho.

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“Esse sonho começou quando eu e a Déa ainda morávamos na Inglaterra.”

Em entrevista à Casa Vogue, Aldo resumiu a origem do projeto

Com o tempo, a coleção cresceu. Quando chegou a cerca de 8 mil exemplares, um galpão perto do antigo escritório apareceu como oportunidade, tanto prática quanto ideal. A reforma permitiu unir o estúdio de arquitetura no térreo e a biblioteca no andar superior.

Espaço para leitura, não ostentação

O projeto foge da ideia de uma biblioteca monumental, com paredes colossais, mas inalcançáveis e distantes do leitor. As estantes, nichos e balcões respeitam a escala do corpo, o que facilita o manuseio das obras e cria uma relação mais direta do visitante com o acervo.

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A planta remete a uma basílica, mas sem a função religiosa. O desenho cria uma nave central e nichos de leitura chamados pelos arquitetos de “capelas” (Foto: JOHN TOWNER / Wikimedia Commons / Imagem Ilustrativa)

A iluminação também é um elemento central da experiência. Segundo o relato do projeto, o sistema simula variações da luz natural ao longo do dia. 

O que há no acervo de 10 mil livros?

A coleção reúne livros de arquitetura, arte, literatura, design e pensamento humanista. A organização por sobrenome de autor, em vez de áreas rígidas, aproxima nomes de campos diferentes e cria encontros inesperados entre obras.

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Entre os destaques, aparecem volumes raros, primeiras edições e livros ligados à história da arquitetura e da literatura. O conjunto inclui desde tratados técnicos até obras de Clarice Lispector, Thomas Pynchon e James Joyce.

Biblioteca particular pode virar espaço coletivo

Outro ponto importante está no futuro do projeto. A intenção dos arquitetos é abrir a biblioteca à visitação, provavelmente por um sistema de indicação. Com isso, um acervo particular pode ganhar uma função mais ampla, ainda que controlada.

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O cuidado é necessário, pois a coleção abrange livros raros que exigem cuidados especiais, dos quais são encarregados três funcionários (Foto: National Library of Serbia / Wikimedia Commons / Imagem Ilustrativa)

A abertura gradual também evita transformar o lugar em atração turística sem controle.