A fotografia analógica surgiu no século XIX, com a primeira imagem registrada em 1826, e perdeu popularidade em meados dos anos 2000. Nos últimos anos, porém — principalmente após a pandemia —, diversos estabelecimentos têm registrado um crescimento no uso da fotografia em filme.
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Um fator que evidencia essa retomada é o fato de empresas como a Kodak e a Fujifilm — grandes nomes da indústria fotográfica — voltarem a fabricar filmes e câmeras antigas devido à alta demanda dos consumidores.
Mas o que explica a fotografia analógica ter voltado a ser tão consumida? Vivemos hoje uma era de massividade tecnológica, de excesso de informações e de cibridismo (o fim da separação entre o online e o offline).
A fotografia analógica se contrapõe a essa massividade — desde o processo de tirar fotos sem ver o resultado imediatamente até o limite de poses por filme, o longo processo de revelação química e a posterior digitalização.
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No entanto, mesmo com a grande procura por câmeras analógicas e filmes, ainda existem muitas dúvidas sobre como e onde comprar esse material, quais são os melhores filmes e onde a revelação oferece o melhor custo-benefício.
Pensando nessas dúvidas, o NSC Total preparou um guia completo para iniciantes em fotografia analógica:
Câmera automáticas (saboneteiras) e manuais
O primeiro passo para fotografar é escolher uma câmera que atenda ao que você procura. É importante entender que existem diferentes tipos de câmeras. As duas principais para fotografia em filme são a câmera automática e a câmera manual.
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A câmera automática é aquela que consegue enganar bem pela qualidade do foco e por algumas funcionalidades semelhantes às de uma câmera manual, como, por exemplo, a possibilidade de tirar fotos panorâmicas.
Essas câmeras são conhecidas como “saboneteiras”. O termo surgiu por causa do formato e da simplicidade dos modelos compactos populares nas décadas de 1980 e 1990. A principal razão é a semelhança do design — pequeno e arredondado — com uma caixa de sabonete.
Além disso, a facilidade de uso também ajudou a consolidar esse apelido. Essas câmeras eram modelos automáticos, conhecidos como point-and-shoot (“apontar e disparar”), com poucos botões e ajustes. Isso as tornava acessíveis até mesmo para pessoas sem conhecimento em fotografia.
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Os modelos mais conhecidos desse tipo de câmera são da linha Stylus, da Olympus. Modelos como Olympus Stylus Epic, Olympus Stylus MJUi e Olympus Stylus Zoom são bastante populares no mercado. Elas são à prova d’água e oferecem um bom desempenho no foco automático. No entanto, é importante lembrar que, por se tratar de uma câmera automática, nem sempre o foco sairá exatamente onde você gostaria.
Outro modelo que está em alta e é produzido pela própria Kodak — uma das marcas mais influentes do mercado de filmes — é a câmera M35. Ela é feita de plástico e funciona com ou sem pilha; a pilha serve apenas para acionar o flash.
A M35 é, na verdade, uma releitura das câmeras antigas da Kodak. Não é um grande destaque entre as “saboneteiras”, mas cumpre bem o seu papel e é uma das opções mais acessíveis para quem quer fotografar em filme por hobby ou apenas para registrar memórias. No mercado, o valor da câmera varia entre R$ 260 e R$ 300.
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Veja como ficam fotos feitas por uma Olympus e uma Kodak
Câmeras manuais
As câmeras manuais são dispositivos analógicos que permitem ao fotógrafo controlar manualmente os ajustes essenciais de exposição, como a velocidade do obturador, a abertura do diafragma e o ISO do filme. Isso as diferencia das câmeras automáticas, que realizam esses ajustes de forma automática.
O uso desse tipo de câmera exige que o fotógrafo calcule a exposição correta para obter a imagem desejada, sendo ideal para quem busca controle criativo total sobre suas fotos.
Existem diversas vantagens em dominar esses ajustes essenciais da câmera. Além de, obviamente, permitir que a foto saia mais nítida e fiel ao que o fotógrafo deseja capturar, outras vantagens incluem:
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- Controle criativo: permite ao fotógrafo ter total domínio sobre os resultados, ajustando os parâmetros para alcançar efeitos específicos, como o desfoque de fundo desejado ou o congelamento da ação.
- Flexibilidade: é essencial para fotografar em diversas condições de luz, seja em ambientes muito claros ou muito escuros.
- Prática e aprendizado: é uma ferramenta valiosa para compreender os fundamentos da fotografia e aprimorar a percepção de luz, resultando em maior domínio técnico e profissionalismo.
Entre as melhores câmeras manuais de filme estão modelos como Nikon FM/FE, Pentax K2/MX e Minolta X-700/X-570, ideais para iniciantes. A escolha entre elas dependerá do tipo de fotografia, do orçamento e das preferências pessoais — mas todas oferecem controle manual total e uma experiência fotográfica mais “clássica”.
A escolha do filme: ISO, cores e processos
Escolher o filme certo é como selecionar a estética que você deseja para uma cena: ele define a tonalidade, o contraste e até mesmo a textura emocional da fotografia.
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Um filme preto e branco, por exemplo, realça a dramaticidade e a atemporalidade, enquanto um filme colorido pode trazer tons vibrantes ou suaves, dependendo de sua composição química.
Conhecer as opções disponíveis e como elas se comportam em diferentes condições de luz e cenários é essencial para alcançar o resultado desejado. Cada filme possui características únicas de cor, contraste e saturação, que influenciam diretamente a aparência final da foto.
Exemplos:
- Kodak Portra: oferece tons suaves e naturais, sendo amplamente utilizado em retratos.
- Fujifilm Provia: apresenta cores ricas e vibrantes, ideal para paisagens e natureza.
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Além disso, a sensibilidade à luz determina o desempenho do filme em diferentes condições de iluminação — essa sensibilidade é conhecida como ISO. Em termos simples, o ISO funciona como um “amplificador” de luz.
Em ambientes claros, um ISO baixo (como 100) é suficiente para garantir uma exposição correta. Já em locais escuros, o ISO deve ser aumentado para tornar o filme mais sensível à luz, permitindo capturar imagens com menos iluminação.
- ISO baixo (100–200): ideal para ambientes bem iluminados, como dias ensolarados ou situações com luz controlada.
- ISO alto (400–800): excelente para ambientes internos, com pouca luz ou para fotos em movimento.
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Exemplos:
- Fujifilm Pro 160NS (R$ 120 a R$ 180): ideal para cenas com iluminação controlada, oferecendo suavidade e equilíbrio nas cores.
- Kodak UltraMax 400 (R$ 100 a R$ 150): versátil para diversas condições de luz.
A escolha do filme também reflete a estética desejada. Preto e branco, slide ou experimental — cada tipo influencia diretamente a atmosfera da imagem.
- Preto e branco (P&B): expressivo e atemporal.
- Experimental: proporciona resultados criativos e únicos.
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Atualmente, também há quem utilize filmes de cinema para fotografar. Nesses casos, as lojas especializadas rebobinam os grandes rolos de filme cinematográfico em pequenos cartuchos, permitindo que esse material seja usado em câmeras de 35 mm.
Os preços dos filmes variam conforme o local de compra, o formato (35 mm ou 120 mm), a data de vencimento e até mesmo as tendências do momento.
É importante entender que o filme de 120mm é usado apenas em câmeras de médio formato e não em câmeras de 35mm, pois, como o próprio nome diz, as câmeras são usadas para filmes de 35mm.
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Onde revelar e custo benefício
Chegamos à última parte do processo de fotografar com uma câmera analógica: a escolha de onde revelar os filmes. Essa etapa, por mais que pareça simples, exige cuidado — é importante analisar o trabalho de revelação do estabelecimento escolhido.
Devido à baixa popularidade que os filmes tiveram antes do recente “boom” do analógico, alguns locais ainda cobram valores altos pelos serviços de revelação e digitalização.
Um lugar que vale a pena considerar, tanto pelo valor quanto pela qualidade, é o Lab Lab Analógico, em Curitiba. O estabelecimento oferece serviços a preços acessíveis, o que permite realizar revelações em maior quantidade. Além disso, o laboratório aceita o envio de filmes pelos Correios.
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O Lab Lab, inclusive, foi o responsável pela revelação e pelos slides das fotos do vencedor do Oscar Ainda Estou Aqui.
Outro local para a revelação de filmes é a Kodak Mafia, em São Paulo. O estabelecimento oferece também o serviço de revelação “express” para quem prefere um processo mais rápido. Diferente do Lab Lab, a Kodak Mafia não aceita envio de filmes pelos Correios, sendo necessário entregar o material presencialmente.
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Alguns outros lugares que também realizam revelação de filmes são:
- Color Foto Ferrara
- AGF Lab
- Nanni Lab
*Com informações de Câmera Velha e Lab Lab Analógico
**Sob supervisão de Pablo Brito
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