A Ilha do Campeche, em Florianópolis, ponto turístico conhecido como “Caribe catarinense”, teve uma queda significativa no excesso de visitantes nesta temporada após adotar um novo modelo de gestão. O levantamento foi divulgado pela Justiça Federal da 4ª Região, que realizou a reunião do Grupo de Trabalho (GT) instituído para coordenar a gestão e proteção do local, realizada na segunda-feira (12).

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O encontro contou com representantes do Ministério Público Federal (MPF), do município de Florianópolis, da União, SPU, IPHAN, Floram, Capitania dos Portos e associações locais de barqueiros transportadores.

Confira fotos da Ilha do Campeche

Os números mostram que nesta temporada de verão houve sucesso no controle do fluxo turístico, respeitando o limite de 800 visitantes diários. Enquanto na última temporada, até janeiro de 2025, foram 10 dias com extrapolação na ilha, com até 1.883 visitantes em um unico dia, na atual temporada, até o dia 11 de janeiro, somente quatro dias tiveram extrapolação, com no máximo 852 visitantes em um dia.

“O sucesso no controle de visitantes da Ilha do Campeche se deve ao esforço conjunto de todos os órgãos e representantes que compõem o nosso Grupo de Trabalho, um trabalho verdadeiramente coletivo e que vem sendo construído há quase dois anos. Essa gestão compartilhada mostra que o diálogo, a cooperação e o respeito às regras são os caminhos mais eficazes para a sustentabilidade da Ilha do Campeche a longo prazo”, destacou o juiz coordenador do Cejuscon, Leonardo Müller Trainini.

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O sistema de videomonitoramento, atualmente em fase de implantação, é um dos pilares desta nova fase de gestão. O sistema conta com câmeras de alta definição que fazem o reconhecimento facial e a contagem de pessoas à distância, ainda dentro das embarcações, o que possibilita verificar o cumprimento das normas de desembarque.

A reunião também trouxe alguns pontos de melhoria, como:

  • Definição do fluxo de repasse dos recursos para o fundo de conservação gerido pelo Instituto Ilha do Campeche;
  • Preocupação com o crescimento das visitações panorâmicas e a segurança dos turistas que nadam em local de passagem de embarcações;
  • Monitoramento da saúde da população de quatis, feito por pesquisadoras da UFSC em parceria com a Floram.

O modelo de gestão atual é resultado de um processo judicial iniciado em 2022, quando o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma Ação Civil Pública para garantir a defesa do patrimônio ambiental e arqueológico da Ilha depois de vários episódios de superlotação.

O Grupo de Trabalho tem atuado desde então em reunião e audiências de conciliação para balancear o interesse turístico e a preservação ambiental. A atuação conjunta já resultou na criação de uma Unidade de Conservação (UC) na Ilha, da qual o Plano de Manejo está em fase inicial de elaboração.

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Entenda as regras para transporte e visitação na Ilha do Campeche

As viagens comerciais só poderão ser feitas por embarcações autorizadas, e a administração manterá uma lista atualizada dos credenciados, compartilhada com os órgãos de fiscalização.

O visitante poderá escolher entre cinco modalidades de transporte, cada uma com cota diária:

  • Associação dos Pescadores Artesanais da Praia da Armação – APAAPS: 410 autorizações diárias;
  • Associação Couto de Magalhães de Preservação da Ilha do Campeche – ACOMPECHE: 62 autorizações diárias;
  • Associação das Empresas de Transporte Náutico da Barra da Lagoa – ATBL: 135 autorizações diárias;
  • Associação dos Barqueiros de Transportes da Praia do Campeche – ABTC: 73 autorizações diárias;
  • Outros e próprios: 120 autorizações diárias.

As regras determinam que a ilha permanecerá fechada quando houver mau tempo, mar perigoso ou ausência de monitores. Nessas situações, o desembarque fica proibido. O Instituto Ilha do Campeche é o responsável por avaliar e comunicar as condições de visitação.

As equipes de fiscalização poderão atuar no embarque, no trajeto, no desembarque, por meio de drones, câmeras instaladas no Monumento Natural e auditoria das autorizações. O foco estará na regularidade das licenças, no respeito às cotas, no cumprimento das regras de consumo e na observação de todas as normas de operação.

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