A Inditex, gigante espanhola que controla Zara, Bershka, Stradivarius, Massimo Dutti, Oysho, Pull&Bear e Zara Home, fechou 136 lojas no mundo em 2025 e, ainda assim, fechou o ano vendendo mais.

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A receita do primeiro trimestre cresceu 1,5% e atingiu 8,27 bilhões de euros, com lucro líquido de 1,3 bilhão de euros, segundo balanço oficial divulgado pela companhia. A área total de vendas, mesmo com a redução de unidades, deve aumentar 5% até 2026.

A resposta para vender mais com menos lojas está em um modelo de negócio que vem sendo gestado desde 2020 e que está transformando o jeito como o consumidor compra roupa no mundo inteiro.

Inditex, dona da Zara, vende mais com menos lojas

Em vez de manter pequenas unidades espalhadas em várias cidades, a Inditex passou a apostar em megalojas concentradas em pontos de alto fluxo, com área ampliada, tecnologia integrada e função logística. O movimento substitui várias lojas pequenas por uma única loja grande, capaz de oferecer mais produtos, mais serviços e operar como hub de pedidos online.

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Os números mostram a velocidade da transformação. Em 2025, a rede mundial passou de 5.698 para 5.562 lojas, redução de 2,39%. A maior parte dos fechamentos aconteceu na Espanha, país de origem do grupo, com 52 unidades a menos.

E não é apenas a Zara que se transforma. Bershka, Stradivarius, Massimo Dutti e Oysho também passam por revisão de portfólio, evitando sobreposição de pontos em regiões geograficamente próximas. Em paralelo, algumas marcas do grupo seguem em expansão: a Lefties, voltada para moda básica e preço mais baixo, ganhou 10 lojas no último ano, e a Bershka adicionou quatro unidades.

O que muda para o consumidor

A nova fase das lojas Inditex é centrada no conceito omnichannel, em que o cliente transita sem fricção entre o aplicativo, o site e a loja física. O modelo se traduz em mudanças concretas, segundo a empresa:

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  • Pedidos pelo app com retirada na loja em até duas horas, recurso já disponível nas unidades brasileiras da Zara;
  • Terminais de autoatendimento no caixa, que reduzem filas e permitem pagamento sem interação com vendedores;
  • Provadores com tecnologia embarcada, que mostram disponibilidade de tamanhos e cores em outras unidades da rede;
  • Estoque unificado físico e online, que facilita trocas, devoluções e localização de itens específicos;
  • Pontos de coleta de roupas usadas, em parceria com programas de reciclagem têxtil, presentes em algumas megalojas.

Na prática, a loja física deixa de ser apenas vitrine e passa a funcionar como um pequeno centro logístico urbano, integrado ao site e ao aplicativo. Em algumas capitais, a unidade chega a operar como ponto de separação de pedidos online, reduzindo prazos de entrega.