Um incidente com material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), referência nacional em pesquisa nuclear e produção de radiofármacos, na unidade técnico-científica de São Paulo foi confirmado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) na noite de quinta-feira (11). Dois trabalhadores passaram por exames preventivos de Contador de Corpo Inteiro, que detectaram contagens baixas e apontaram que não houve contaminação interna dos profissionais.

Continua depois da publicidade

A investigação iniciou no dia 29 de maio, quando o Ipen recebeu um denúncia anônima. O caso foi divulgado depois que o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) pediram informações oficiais sobre o que teria acontecido no local.

Segundo o Relatório de Ocorrência Interna (ROI), foram encontrados traços de tecnécio-99 durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave, um equipamento usado na produção de radiofármacos.

O tecnécio-99 é uma forma de curta duração do Tc-99, um elemento radioativo usado utilizado para diagnóstico médico. Segundo o Ipen, a contaminação foi identificada na área controlada do Centro de Radiofarmácia do Instituto. O relatório deixou claro que os funcionários não foram contaminados, apenas a roupa de um deles e, por eles não terem apresentado qualquer tipo de sequela, nenhum servidor está em observação.

No entanto, novos treinamentos foram fornecidos aos funcionários envolvidos. Segundo o órgão, a contaminação de EPIs pode acontecer, mas para que isso seja evitado, os profissionais monitoram de forma constante a radioatividade.

Continua depois da publicidade

Procedimentos de descontaminação teriam acontecido em locais errados

Segundo o sindicato, alguns procedimentos de descontaminação aconteceram em locais errados, o que levantaria preocupações sobre a infraestrutura e os protocolos de segurança para atividades que envolvem materiais radioativos.

No documento enviado na denúncia, o Sindsef-SP e Assipen dizem que outras situação já teriam acontecido anteriormente por limitações orçamentárias, redução de pessoal e falhas de gestão.