Projetado pelo gênio nacional da arquitetura mundial Oscar Niemeyer, o Edifício Copan é muito mais do um cartão-postal no coração de São Paulo. Com 60 anos de história, ele abriga mais de 5 mil pessoas e funciona como uma verdadeira cidade vertical.

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Mas uma das muitas dúvidas que se vem a tona, quando se fala do edifício é: como será que é a vida lá dentro? O documentário “Copan”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (28), busca responder essa pergunta com um olhar inédito e profundo sobre o cotidiano do edifício.

Vencedor do prêmio de Melhor Filme Brasileiro no prestigiado festival É Tudo Verdade, o longa oferece uma imersão na rotina dos moradores e funcionários, revelando que, em um espaço com tantas pessoas, tudo pode ser político.

Um retrato fiel do Brasil Polarizado

A diretora Carine Wallauer morou no Copan por sete anos, tempo suficiente para entender a alma do lugar. O filme acompanha o edifício durante um momento crítico: o segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

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Simultaneamente, os corredores e elevadores do prédio vivam outra disputa intensa: a eleição para cargo de síndico de condomínio. Essa narrativa espelha a tensão nacional, mostrando como as divergências ideológicas ocupam o espaço doméstico.

  • A câmera como aliada: O filme não foca em figurais centrais, mas no coletivo.
  • O dia a dia: Reuniões em andamento, conversas banais e o trabalho essencial de cerca de 100 funcionários
  • Acesso privilegiado: Por já viver lá, a diretora conseguiu captar a realidade sem interferirn a dinâmica dos moradores.

Airbnb e o novo perfil do edifício

O documentário não foge de temas polêmicos. Um dos pontos centrais é a transformação do perfil dos moradores devido ao avanço das locações de curta temporada, como a ascenção do Airbnb nesse ramo de negócios.

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Hoje, mais de 200 dos 1.160 apartamentos do prédio funcionam como unidades de hospedagem. Essa mudança impacta diretamente a convivência e a estrutura do condomínio, gerando debates acalorados entre os condomínios tradicionais e os novos modelos de business.

A própria diretora precisou deixar seu apartamento após o imóvel ser vendido para se tornar um Airbnb. Segundo ela, esse processo reflete a especulação imobiliária e gentrifícação que atingem o Centro de São Paulo.

Síndico Affonso, uma lenda local

O documentário também se consagra como um registro histórico de Affonso Celso Prazeres de Oliveira. O icônico síndico, que esteve à frente do Copan por mais de três décadas, é peça-chave na trama.

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Affonso, que faleceu em dezembro de 2025, aparece no filme mediando conflitos e ditando as regras que mantiveram o prédio funcionando por tanto tempo. Sua figuraserve como um fio condutor para entender o poder e a administração dentro de um condomínio que nunca dorme.

Affonso Celso Prazeres de Oliveira, síndico do Copan por mais de três décadas, é figura central na história do prédio retratada no filme (Imagem: reprodução Youtube / Museu da pessoa, Divulgação)

Porque assistir o documentário?

Se você tem curiosidade sobre a arquitetura de Niemyer ou deseja entender como as grandes transformações sociais do Brasil se manifestam na prática, este filme é indispensável. Ele nos lembra que o Copan, é acima de tudo, um espelho da nossa sociedade: diversa, complexa e constantemente em mutação.

A dica de ouro é: Ao visitar ou passear pelo Centro, observe os detalhes da fachada e lembre-se da história que o prédio carrega. O Copan não é apenas um monumento de concreto; ele é feito das histórias das mais de 5 mil pessoas, que dia a dia, fazem parte de suas curvas mais famosas.

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Jean Lindemute