Esqueça a radiação ou o frio extremo: o maior pesadelo da NASA é uma poeira microscópica que age como vidro moído, destrói equipamentos em dias e causa hemorragias nos astronautas. Mas, após décadas de testes em laboratórios sujos, a agência espacial acaba de confirmar o sucesso de uma tecnologia revolucionária de “campo de força” que cospe essa ameaça para longe e garante o retorno seguro à Lua.

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Dentro do vasto Centro Espacial Johnson, em Houston, existem oficinas conhecidas carinhosamente como “laboratórios sujos”. É lá que reside o inimigo silencioso.

Ao mergulhar a mão em uma caixa cheia de simulação de solo lunar, a sensação é alienígena. Parece talco, mas é incrivelmente adesivo e denso.

Diferente da areia da Terra, a poeira da Lua (regolito) não sofreu erosão pelo vento ou água. Ela é forjada por bilhões de anos de impactos de meteoritos e lava vulcânica.

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O resultado é um pó mais afiado que lâminas de barbear. E o pior: ele é eletricamente carregado, o que faz com que grude em absolutamente tudo.

“É muito, muito afiado. É agravante. Entra em tudo”, revela Amy Fritz, pesquisadora da NASA. Para os astronautas das missões Apollo, isso foi um inferno.

Eles sofreram com a chamada “febre do feno lunar”. O pó invadia os trajes, entupia narizes e cheirava a pólvora queimada.

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Gene Cernan, comandante da Apollo 17, disse que o pó “habita cada poro da sua pele”. Mas o risco vai muito além da alergia.

O ataque das “piranhas espaciais”

A poeira lunar corroía vedações de vácuo e destruía as botas dos trajes espaciais. “Os trajes estavam se desfazendo após três dias”, conta Anastasia Ford, pesquisadora de tecnologia de voo.

Tentar limpar com escovas só piorava a situação. A fricção gerava mais carga elétrica, transformando a poeira em pequenos ímãs cortantes.

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Charles Buhler, cientista-chefe do Laboratório de Eletrostática da NASA, usa uma analogia aterrorizante para descrever o ambiente lunar.

“Finja que você pega uma caixa de garrafas de vidro, esmaga tudo com uma marreta dentro de um armário e depois liga um soprador de folhas. É disso que você precisa se proteger“.

Com o programa Artemis visando estabelecer uma base permanente no polo sul da Lua, ignorar esse problema seria uma sentença de morte.

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Painéis solares seriam mastigados, rovers pifariam e a vida dos astronautas estaria em risco crítico. A solução? Combater a eletricidade com eletricidade.

O Escudo Eletrodinâmico (EDS)

A NASA desenvolveu algo que parece ter saído de um filme de ficção científica: o Escudo Eletrodinâmico (EDS).

Trata-se de uma série de eletrodos transparentes, finos como cabelos, que podem ser tecidos em roupas ou aplicados sobre lentes de câmeras.

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A ciência por trás é fascinante. O escudo usa campos elétricos que alternam rapidamente entre cargas positivas e negativas.

Como a poeira lunar é polarizável, essa onda elétrica a empurra violentamente para longe, como se fosse mágica.

Testes em câmaras de vácuo mostraram que o EDS remove até 99% da poeira de uma superfície em segundos.

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“É uma tecnologia incrivelmente flexível. Ainda não encontramos um caso onde não possamos embuti-la”, afirma Buhler.

Sucesso confirmado na Lua

Mas a NASA precisava saber se funcionaria fora do laboratório. E a resposta veio recentemente, graças à missão privada da Firefly Aerospace.

O módulo de pouso Blue Ghost, que tocou o solo lunar em 2025, estava equipado com o EDS. E o resultado foi histórico.

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Ao ser ativado, o escudo limpou as superfícies de vidro e radiadores térmicos instantaneamente. O sistema funciona na Lua real.

Para Buhler, ver 20 anos de trabalho funcionarem em outro mundo foi um alívio. “É fantástico. É um suspiro de alívio, mais do que qualquer coisa”.

Agora, essa tecnologia deve ser a primeira linha de defesa dos novos rovers e trajes da missão Artemis, garantindo que a humanidade possa, finalmente, morar fora da Terra sem ser “comida” pela poeira.

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E você, teria coragem de morar em uma base lunar confiando apenas em um escudo invisível para proteger sua vida?

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