Um barco de pesca recapturou, 13 anos depois e no mesmo local, um bacalhau-da-patagônia que havia sido marcado pelo Instituto Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento da Pesca da Argentina (INIDEP).

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O Argenova XIV, navio de pesca, foi o responsável por esse feito histórico. O peixe tinha sido capturado em maio de 2013, a uma profundidade de1.054 metros. Ele foi marcado e solto novamente no oceano. O mesmo bacalhau-da-patagônia foi reencontrado, 13 anos depois e a 62 quilômetros do local de soltura.

Encontrar esse peixe é um marco pois segundo o Programa de Marcação e Recaptura da Merluza Negra do Inidep, esse é o tempo mais longo que um peixe permanece vivo no mar depois de ser marcado.

Bacalhau-da-Patagônia ou Merluza Negra

Embora alguns estudos mostrem que determinadas espécies preferem viajar centenas ou milhares de quilômetros, eles também mostraram que muitos preferem permanecer em uma área específica. Isso não significa que seja possível determinar qual rota esse peixe fez ao longo dos anos, o que transforma o fato dele ter sido encontrado na mesma área mais curioso ainda.

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O bacalhau-da-patagônia (Dissostichus eleginoides), também conhecido no Brasil e na Argentina como Merluza Negra, é uma espécie que pode viver muito, mais de 50 anos e vive próxima ao fundo do mar.

Encontrado no Hemisfério Sul, é uma espécie rara e de alto valor comercial, principalmente em mercados da China e dos Estados Unidos. Entre algumas característica da espécie estão:

  • Vive em águas geladas e profundas, podendo chegar até 3 mil metros de profundidade
  • Habita o sul dos oceanos e a Antártida
  • Sua carne é branca, macia, suculenta e rica em gorduras saudáveis
  • É uma espécie que tem crescimento lento e reprodução tardia, o que a torna vulnerável à sobrepesca

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bacalhau da patagonia merluza negra peixe ouro negro do atlantico sul
Na Argentina, a captura da merluza negra está restrita a um número reduzido de empresas autorizadas pelo Conselho Federal Pesqueiro. (Foto: Reprodução, Wikimedia Commons)

Preservar o “Ouro Negro” do Atlântico Sul

O Inidep começou em 2004, um programa em que mais de seis mil espécies foram marcadas e 122, em sua maioria jovens, foram recapturadas. Isso permitiu que os pesquisadores pudessem avaliar a dinâmica de deslocamento do peixe e garantir sua pesca sustentável.

A maioria dos peixes recapturados reapareceram a menos de 100 quilômetros de onde tinham sido soltos, mas algumas percorreram 3 mil quilômetros no mesmo período.

Conhecida como “ouro negro” do Atlântico Sul, a carne da merluza negra ou bacalhau-da-patagônia é uma das mais cobiçadas no mundo e tem alto valor comercial.

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