Mario Sant’Ana: De homem para homem

A jornada de ser e educar um bom homem

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A jornada de um bom homem é marcada por decisões e aprendizados (Foto: Divulgação)

*Artigo por Mário Sant’Ana

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A ressignificação do papel da mulher e outras mudanças nos comportamentos sociais têm exigido que o homem melhore a forma como se relaciona com os que lhe são mais próximos e atualize sua participação na sociedade. Isso é bom. É impossível melhorar sem mudar.

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Entretanto, como já fiz várias mudanças que não resultaram em melhorias, tenho buscado caminhos que aumentem minhas chances de sucesso nesse esforço. Nesse sentido, resolvi me debruçar sobre o poema intitulado “Se”, que o autor, Rudyard Kipling, dedicou ao seu filho.

O texto tem um significado especial na minha vida. Meu pai o leu para mim quando eu tinha uns doze anos. Foi uma experiência gigante, mas coube em lugar seguro no meu jovem coração e de lá nunca saiu.

O fim do poema revela o desejo do poeta e de meu pai: “Será um Homem, meu filho”.

Ao grafar Homem com inicial maiúscula, Kipling indicou referir-se aos atributos superiores às características biológicas que distinguem os machos das fêmeas da espécie humana, às qualidades de um bom homem. O que ele quer dizer e como entende que isso possa acontecer é o que vamos discutir nesta série.

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O ensinamento fundamental

A lição básica que tiro do poema é que nossas conquistas são principalmente condicionais ao que somos e fazemos, não tanto às circunstâncias.

A jornada de um bom homem é marcada por decisões e aprendizados. Se sua pré-disposição estiver correta, o coração sincero e a mente atenta, aprenderá com os outros e pela experiência —professora rigorosa, mas muito eficaz. Cada decisão que tomar mudará o conjunto de opções com o qual terá de lidar.

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“Bom homem” não é um título entregue no fim da vida aos merecedores. É algo vivo que ganha forma ao longo da jornada, a qual “é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” — ensina o antigo provérbio.

O bom homem é o construtor de uma obra em andamento: ele próprio. “Assim como o material do carpinteiro é a madeira, e o do estatuário é o bronze, a matéria prima da arte de viver é a própria vida de cada pessoa” — já ensinava Epicteto.

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Para isso, o bom homem está sempre calibrando seu caráter e aperfeiçoando sua coragem moral, isto é, a capacidade de fazer o que reconhece ser moralmente certo, apesar dos riscos de desdobramentos adversos.

A primeira estrofe

Se você for capaz de manter a calma
quando o mundo ao seu redor já a perdeu e o culpa;

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De crer em si quando estão todos duvidando,
e para esses, no entanto, achar uma desculpa;

Se for capaz de esperar sem se desesperar,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso;

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Ou, sendo odiado, sempre ao ódio se esquivar,
e não parecer bom demais, nem pretensioso;

Íntegra do poema

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A densidade é extraordinária. As qualidades que o autor ressalta como necessárias para o filho ser um bom homem não são triviais nem naturais para os machos do bando: serenidade, autocontrole, autoconhecimento, paciência, compromisso com a verdade, integridade, empatia, autodeterminação, modéstia e humildade.

E é sobre isso que falaremos nos próximos artigos desta série.