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    Medicamento retido na Anvisa compromete tratamento de menina com câncer em Florianópolis

    Anvisa alega que não pode liberar medicamento importado antes de comprovações por parte da SES; Secretaria afirma que já realizou todos os procedimentos necessários

    05/05/2018 - 03h46

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    Por Redação NSC
    (Foto: )

    Antonella Brandolt Severo, de três anos, faz tratamento contra leucemia de alto risco no Hospital Infantil Joana de Gusmão, na Capital, desde outubro do ano passado. Além de correr contra o tempo para salvar a vida, a menina ainda precisa esperar pela burocracia, que pode prejudicar as chances de cura.

    Segundo o pai de Antonella, Nairo Severo, a filha teve duas reações aos medicamentos utilizados nas quimioterapias e, por isso, necessita de outras fórmulas. O último remédio solicitado pelo hospital e já adquirido pelo Estado está retido no aeroporto de Florianópolis aguardando a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    A família ingressou com uma ação judicial para conseguir a medicação. O juiz da Vara da Fazenda Pública da Comarca de São José, Otávio José Minatto, determinou que o Estado de Santa Catarina disponibilize o medicamento até o dia 21 de maio, data até então prevista para a próxima sessão de quimioterapia. Porém, a quimio precisou ser adiantada para terça-feira, dia 8, devido à gravidade do estado de saúde da menina.

    — É uma sensação de total descrença com o Estado, se tratando da vida de uma criança indefesa, visto que a vida dela está na mão de alguém que nem sabe o que a mesma está passando, sendo jogado de um lado para outro pelos órgãos que nós pagamos para nos defender — diz o pai.

    Antonella completou três anos no dia 30 de abril e mora com a família em São José. A menina, apensar da doença, está sempre sorridente. O pai conta que o câncer (leucemia linfoide aguda — LLA) foi descoberto em outubro do ano passado. Imediatamente ela passou pela primeira fase do tratamento com pequenas doses de quimioterapia até o corpo se adaptar.

    Em seguida, iniciou o tratamento em seis blocos. Durante sete dias ela fica internada no hospital recebendo a medicação e 21 dias ela passa em casa. De acordo com Nairo, durante este período, a filha sofreu dois choques anafiláticos resultantes de reações ao medicamento. Por isso, ela precisou trocar a medicação, que é importada e de alto custo.

    A primeira reação anafilática foi ao uso do Elspar (L-Asparaginase), em fevereiro. Na época, a família fez uma vaquinha para conseguir comprar o remédio Oncaspar (Pagasparaginase), que custava R$ 44 mil. O caso foi divulgado na coluna da Laine Valgas, na Hora.

    — Ela utilizou duas doses e entre a segunda e terceira dose ela reagiu novamente com choque anafilático, com perda de oxigênio, vômito, asfixia e outros sintomas. Por isso, precisa de outra opção, que nós estamos buscando agora — diz o pai.

    O remédio em questão é o Erwinase, que custa cerca de R$ 70 mil e deve ser usado no último bloco do tratamento, marcado para terça-feira, 8. Até então, a data prevista era 21 de maio, no entanto, devido o estado de saúde da menina, o serviço de oncohematologia do hospital infantil solicitou à Secretaria de Estado da Saúde a compra do medicamento até terça para a realização do procedimento. “A falta pode comprometer a possibilidade de cura da paciente em questão”, informa a notificação enviada pelo hospital na quarta-feira, 2, à secretaria.

    O que dizem o Estado e a Anvisa

    A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que já comprou o medicamento e, por ser um produto importado, precisa da liberação da Anvisa. O medicamento está no Aeroporto Hercílio Luz. A saúde estadual acrescenta que entrou em contato com a Anvisa para solicitar prioridade na liberação, mas até o momento não obteve retorno.

    Já a Anvisa explicou que como o medicamento não possui registro no Brasil ele precisa de uma autorização de importação excepcional. Para isso, a SES precisa apresentar algumas comprovações relacionadas ao produto. Segundo a agência, isto é necessário para garantir a segurança do paciente.

    A Secretaria afirmou que “todas as questões burocráticas e financeiras foram feitas, faltando apenas análise e liberação do medicamento por parte da agência”.

    Evento terá verba revertida para a Avos

    O grupo de modelos Fashionistas Kids e Teens de Santa Catarina vai realizar duas ações beneficentes em prol da Antonella e da Associação de Voluntários de Saúde do Hospital Infantil Joana de Gusmão (Avos). Neste sábado, 5, ocorre o desfile beneficente de moda infantil no Centro de Eventos Celebrate Park, em Santo Amaro da Imperatriz, a partir das 16h. Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos ingressos, que custam R$ 10, será revertido para a Avos.

    Além disso, durante o evento será vendida uma rifa, no valor de R$ 12, para arredar fundos para o tratamento da Antonella. A menina, inclusive, deve fazer uma participação especial no desfile. O prêmio da rifa será um conjunto de acessórios.

    Gisele Hoffmann Faccioli, organizadora do desfile, explica que o Fashionistas começou a fazer eventos beneficentes a partir do diagnostico de câncer de uma menina do grupo.

    — Foi a partir do caso da Pietra que começamos a acompanhar o tratamento dela e de outras crianças. Conhecemos a Avos e vimos a necessidade que eles têm e decidimos fazer estes projetos para o resto da vida para ajudar.

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