Alcançar o cume do Monte Roraima exige esforço e planejamento. Localizado na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, o platô abriga formações rochosas impressionantes, rios gelados e espécies que não existem em nenhum outro lugar.
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Roraima é um tepui, palavra que significa “casa dos deuses” na língua dos indígenas Pemon. Surgiu no período Pré-Cambriano, entre 1,7 e 2 bilhões de anos atrás.
A erosão isolou blocos de arenito e quartzito, criando platôs cercados por paredões verticais que podem alcançar mil metros; o topo tem cerca de 31 km² e funciona como uma ilha biológica.
Um fator crucial foi o isolamento, que permitiu o surgimento de espécies próprias, como o sapo preto Oreophrynella quelchii, que não salta, e diversas plantas carnívoras adaptadas ao solo pobre em nutrientes.
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Paisagem chamativa
O cume apresenta rochas esculpidas pelo vento, cobertas por líquens, cortadas por riachos gelados. Entre os pontos visitados estão:
- Vale dos Cristais: Uma extensão de quartzo branco que brilha sob o sol; a retirada de pedras é proibida;
- Jacuzzis: Se tratam de piscinas naturais de águas geladas e transparentes, com fundo de cristais e algas douradas;
- Marco da Tríplice Fronteira: A pirâmide que indica o encontro do Brasil, Venezuela e Guiana, a 2.734 metros; recebeu a primeira placa informativa do ICMBio em 2025;
- Maverick: É o ponto mais alto do tepui, a 2.810 metros, com vista de 360° sobre a Gran Sabana.
- La Ventana: Trata-se de um abertura na rocha voltada para o tepui Kukenán;
- El Foso: Cratera com água onde é possível mergulhar em água gelada.
O cenário inspirou Arthur Conan Doyle a escrever “O Mundo Perdido” em 1912 e serviu de referência para os cenários do filme “Up: Altas Aventuras”.
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Santuário sagrado
Para os povos Pemon, Ingarikó e Macuxi, o Roraima é a “Casa de Makunaima”, herói criador dos índios caribes. A lenda relata que a montanha nasceu do tronco da árvore da vida.
No Brasil, o Parque Nacional do Monte Roraima protege 116.747 hectares desde 1989, administrado por ICMBio, Funai e a comunidade Ingarikó.
Já na Venezuela, ele integra o Parque Nacional Canaima, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
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Clima e melhor época para visita
O tempo no topo muda rapidamente. Sol, chuva e neblina podem se alternar em poucas horas. À noite, a temperatura pode chegar perto de 0°C.
- Estação seca (dezembro a março): 2°C a 20°C, menor volume de chuva e boa visibilidade;
- Período de transição (abril-maio/outubro-novembro): 2°C a 18°C, chuva moderada e menos trilheiros;
- Estação de chuvas (junho a setembro): 0°C a 15°C, rios cheios e trilhas escorregadias. Na base, o clima é tropical, entre 24°C e 26°C.
Chegar à trilha
Dentro do lado brasileiro, reside A Gruta do Quati, que é o principal ponto de pernoite.
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Já a subida mais íngreme ocorre na “rampa”, fenda natural que dá acesso ao platô. Todo o lixo deve ser retirado.
De Boa Vista, são 215 km pela BR-174 até Pacaraima. Após a fronteira, Santa Elena de Uairén fica a 13 km. De lá, veículos 4×4 credenciados levam até Paraitepuy em cerca de duas horas.
É obrigatório apresentar passaporte ou RG em bom estado e comprovante de vacinação contra febre amarela.
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O Monte Roraima permanece como um dos locais mais antigos e isolados do planeta, oferecendo trilhas longas, paisagens únicas e a experiência de caminhar sobre um platô onde três países se encontram e a vida evoluiu de forma independente por bilhões de anos..
Por Helena Merencio




