Quando um caminho vira armadilha na chuva e a resposta oficial demora, a solução muitas vezes nasce no bairro, com um pouco mais de uma centena de pneus.
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Em Camapuã, no Mato Grosso do Sul, um morador transformou pneus velhos em degraus para criar uma escadaria improvisada em um barranco íngreme, e a história ajuda a entender por que iniciativas comunitárias se repetem pelo Brasil.
A escada de pneus que resolveu um risco diário
A passagem ligava duas ruas por um declive de terra e era usada por muita gente. O problema era simples de explicar e difícil de ignorar: bastava chover para o barranco ficar escorregadio, elevando o risco de queda. Nas férias, Giovani Sanchez, de 38 anos, decidiu intervir com o que tinha à mão.
Segundo relato publicado pelo Campo Grande News, ele reuniu cerca de 140 pneus descartados, empilhou em fileiras acompanhando a inclinação do terreno e preencheu cada um com terra, criando degraus firmes onde antes havia só erosão e barro.
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Por que esse tipo de solução se espalha
O caso não é raro. Em diferentes cidades, moradores recorrem a “obras de sobrevivência” quando convivem com buracos, falta de drenagem, travessias perigosas e escadarias inexistentes. A lógica é prática: reduzir o risco agora, mesmo sem maquinário, orçamento ou cronograma.
A diferença é que nem toda improvisação melhora a vida de verdade. Algumas resolvem um problema imediato, mas criam outros, como instabilidade do terreno, acúmulo de água ou obstáculos para idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida.
Quando o lixo vira risco sanitário e a solução vira prevenção
A iniciativa também toca em outro ponto urbano que não tem estação: o descarte irregular de pneus. Pneus abandonados em terrenos e quintais acumulam água parada e podem virar criadouro do mosquito-da-dengue, além de serem difíceis de recolher depois.
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Ao reaproveitar o material, o morador tirou dezenas de pneus de um possível destino irregular. Mesmo assim, especialistas e órgãos públicos costumam alertar que pneus expostos, sem vedação e sem manejo adequado, podem voltar a representar risco se passarem a reter água em períodos de chuva. Em obras improvisadas, vale observar se há drenagem e se a estrutura não cria pontos de acúmulo.
A pergunta que fica para as prefeituras
O que a história de Camapuã revela é menos sobre criatividade e mais sobre urgência. Quando moradores assumem riscos para consertar o caminho, não é porque “gostam de fazer obra”, e sim porque a rotina cobra.
A escada de pneus virou atalho seguro e exemplo de reaproveitamento, mas também um lembrete de que infraestrutura básica não deveria depender de férias, boa vontade e improviso.
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*Por Raphael Miras
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