Uma análise das vibrações internas do Sol revelou que a estrela está passando por uma mudança interna nas últimas décadas. Astrônomos que monitoram o SOl por meio de técnicas semelhantes a um “ultrassom” espacial descobriram que as alterações geradas pelos ciclos de atividade solar estão acontecendo cada vez mais em camadas superficiais.
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A descoberta foi publicada na prestigiada revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. O estudo foi liderado pelos astrofísicos William J. Chaplin, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e Sarbani Basu, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.
O que o “ultrassom” do Sol mostrou
Para entender o que acontece no interior solar, a equipe utilizou dados da rede BiSON (Birmingham Solar-Oscillations Network), um conjunto de telescópios que monitora as oscilações globais do Sol desde a década de 1980.
Essas oscilações funcionam como ondas sonoras que viajam pelo interior da estrela. Quando o Sol entra em um período de alta atividade magnética, a frequência dessas ondas sofre pequenos desvios.
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Historicamente, os cientistas medem a intensidade dos ciclos solares, que duram cerca de 11 anos, contando o número de manchas na superfície e monitorando a emissão de ondas de rádio. No entanto, o ciclo atual, batizado de Ciclo 25, começou a apresentar um descompasso entre o que se vê por fora e o que acontece por dentro.
Pelos métodos tradicionais externos, o Ciclo 25 é considerado de intensidade moderada a fraca quando comparado aos picos de atividade registrados no século passado. Porém, os dados captados pelos telescópios da rede BiSON mostram frequências mais altas.
Nas camadas monitoradas pelas ondas sonoras de alta frequência, o Ciclo 25 está se mostrando tão intenso quanto os ciclos mais fortes das décadas anteriores, como os ciclos 22 e 23.
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O que isso significa?
A combinação da força nas altas frequências e o enfraquecimento nas médias levou os cientistas a conclusão de que a compressão e as mudanças magnéticas que moldam os ciclos solares estão subindo de posição. Elas estão ocorrendo em uma faixa cada vez mais rasa, situada logo abaixo da superfície visível do Sol.
Os pesquisadores destacam que essa mudança não pode ser explicada apenas por uma variação na força do campo magnético da estrela. O fenômeno exige que o próprio formato e a profundidade onde o magnetismo se confina estejam se reorganizando ao longo das décadas.
*Com informações de ScienceAlert





