“Você poderá achar que a bondade é sinal de fraqueza, ilusão ou transigência, mas, na verdade, ela é fundamental para a forma como nos conectamos.” A reflexão é de Robin Banerjee, do Centro de Pesquisa da Bondade da Universidade de Sussex, na Inglaterra.

Continua depois da publicidade

“Para mim, ser amável é parte do propósito de estar vivo”, diz Bernadette Russell, ativista do tema.

E, segundo Nina Andersen, criadora do projeto Community Senior Letters, “os atos de bondade são necessários no mundo, agora mais do que nunca”.

Os três conversaram com a BBC sobre como pequenos gestos podem ter um efeito poderoso não só no outro, mas também em quem pratica.

Continua depois da publicidade

O impacto surpreendente da gentileza

Em 2011, Russell assistia às imagens de distúrbios em Londres após a morte de Mark Duggan, baleado pela polícia. “Parecia uma guerra civil”, lembra. Sem saber como reagir, ela se sentia impotente.

Dias depois, viu um estranho sem moedas para comprar um selo e resolveu ajudar. “Sua gratidão foi enorme pelo pouco que fiz”, conta. A sensação foi tão boa que decidiu realizar um ato de bondade por dia, durante um ano.

Continua depois da publicidade

O efeito dos pequenos gestos

Estudos mostram que a gentileza é instintiva, mas diminui quando pensamos demais. Até crianças sentem vontade de ajudar quando estão conectadas aos outros.

Segundo Banerjee, “é um dos grandes paradoxos da bondade que um ato amável, cuja intenção é beneficiar os demais, na verdade tem consequências positivas para você mesmo”.

Isso porque neurotransmissores ligados ao bem-estar são liberados quando somos gentis, fortalecendo vínculos e estimulando a cooperação.

Continua depois da publicidade

A jornada de Bernadette

Russell relata que o ano foi “comovente, aterrorizante, ocasionalmente caro e às vezes fisicamente perigoso”, como quando carregou compras pesadas por quilômetros.

Ela também sentiu a chamada “euforia dos generosos”: “Eu ficava em êxtase todos os dias… me sentia muito bem.”, contou Russel

Mas Banerjee lembra: “nós, seres humanos, somos predispostos a ser bondosos, mas também a ser cruéis. Nosso ambiente faz muita diferença.”

Continua depois da publicidade

Para Russell, é preciso questionar narrativas que tratam gentileza como fraqueza.

Gentileza em tempos de crise

Um estudo da Universidade de Sussex com 60 mil pessoas apontou que a pandemia fez dois terços acreditarem que as pessoas ficaram mais amáveis.

No confinamento de 2020, Nina Andersen criou um projeto em que alunos escreviam cartas para idosos. “O que começou pequeno virou algo muito maior, chegando a mais de 250 escolas e lares”, diz. A ideia se espalhou até para fora do Reino Unido.

“O que precisamos fazer agora é recordar a imensa bondade de que fomos capazes”, reforça Russell.

Continua depois da publicidade

Como tornar o mundo mais gentil

Para Banerjee, “não se trata apenas de instruir, mas de criar ambientes em que ser gentil seja normal”.

Russell sugere que instituições adotem um “manifesto da bondade”, tornando o tema parte das conversas diárias.

Ainda assim, ela acredita no poder dos pequenos atos: “Todos os dias posso fazer alguma coisa, seja cumprimentar alguém ou sorrir… é assim que mudamos o mundo.”

Continua depois da publicidade

Nina Andersen acrescenta: “cada uma das suas boas ações aumenta a possibilidade de que elas se reproduzam”.

E Banerjee conclui: “as coisas pequenas podem, na verdade, ser coisas grandes”.

Leia também

A fruta exótica que esconde uma estrela perfeita e tem gosto de sobremesa

Quer mais sorte e dinheiro? As 5 plantas que o Feng Shui manda ter em casa

O fruto roxo do Brasil que protege o coração e a circulação