No último compromisso oficial de sua viagem apostólica à Espanha, o Papa Leão XIV fez um pronunciamento nesta terça-feira (9), no Pavilhão 3 da IFEMA, em Madri e diante de milhares de voluntários, o líder da Igreja Católica criticou a mentalidade global focada exclusivamente no retorno financeiro e defendeu a urgência de uma sociedade baseada na solidariedade e na gratuidade.

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Segundo o pontífice, o mundo atual, fortemente influenciado pelo interesse e pelo lucro, necessita urgentemente resgatar o desenvolvimento humano integral, inspirado pelos valores do Evangelho.

Veja fotos do Papa Leão XIV

Metas superadas e agradecimento

Durante o evento, Leão XIV expressou profunda gratidão aos trabalhadores e jovens que doaram meses de serviço, férias e períodos de folga para organizar a estrutura da visita papal.

O pontífice classificou a mobilização como um exemplo prático de dedicação desinteressada, traçando um paralelo com o sucesso do Jubileu realizado no ano anterior.

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“A gratuidade é um fermento que faz crescer a qualidade humana, ética e espiritual de uma sociedade, porque poderíamos dizer que é uma característica típica da ‘cidade de Deus'”, afirmou o Papa, reforçando que a verdadeira felicidade está em se doar ao próximo.

Antes de encerrar a cerimônia, o Papa realizou o rito de bênção das primeiras pedras de novas obras sociais da Igreja na Espanha e ofertou um cálice sagrado de presente à Arquidiocese de Madri, representada pelo Arcebispo local, Dom José.

Leia o discurso do papa Leão XIV na íntegra

Eminência, Dom José,
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Este encontro é o último da etapa madrilena da minha viagem apostólica, mas estou muito feliz que seja convosco, voluntários e voluntárias. Cada um de vós, e muitos outros que não puderam estar aqui nesta manhã, mereceis um “obrigado” muito especial, porque oferecestes a vossa presença, o vosso serviço, e o fizestes por amor ao Senhor, à Igreja e ao Papa. Obrigado de todo o coração!

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Agradeço aos dois “porta-vozes” que nos ofereceram os seus testemunhos e a quem realizou o vídeo e a atuação musical.

Fiquei a saber que, desde o início, a vossa resposta ao apelo foi entusiástica: em poucos dias foram ultrapassados os números solicitados e, assim, as necessidades ficaram amplamente cobertas. Tirastes dias de folga do trabalho, alguns de vós vos dedicastes a tempo inteiro durante meses, e cada um deu o que pôde, oferecendo coração, mãos, ideias, talentos, sorrisos. Que Deus vos recompense como só Ele sabe fazer!

Gostaria de partilhar convosco uma reflexão simples, que resumiria assim: os cristãos são chamados a levar ao mundo o fermento da gratuidade.

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Jesus utilizou a imagem do fermento numa parábola sobre o Reino dos céus, recolhida pelo evangelista Mateus: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado» (Mt 13, 33). A vossa experiência destes dias, tal como a de tantos irmãos e irmãs voluntários em circunstâncias semelhantes – penso no Jubileu do ano passado –, é um sinal do Reino que vem, e o é por um aspecto essencial: a gratuidade.

A gratuidade é um fermento que faz crescer a qualidade humana, ética e espiritual de uma sociedade, porque poderíamos dizer que é uma característica típica da “cidade de Deus”. Num mundo continuamente influenciado pela lógica do interesse e do lucro, onde o termo “crescimento” se reduz à dimensão económico-financeira, é necessário pensar e viver segundo a lógica mais verdadeira, isto é, a dum crescimento humano integral. É a lógica do Evangelho, que diz: «Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis?» (Lc 6, 33-34).

Queridos irmãos, Jesus Cristo veio trazer ao mundo o fermento do Reino dos céus; misturou-o com a massa da nossa humanidade doente para a curar por dentro, com a água e o sangue do seu sacrifício e com o fogo do Espírito Santo. E após a sua morte e ressurreição, enviou os seus discípulos, com a força do mesmo Espírito, para que fossem no mundo sinais e instrumentos do seu Reino. O Reino de amor, de justiça e de paz. Isto realiza-se através da pregação, mas também – e eu diria ainda mais – através dum estilo de vida, duma forma de pensar e se comportar que é a do Evangelho. Pois bem, uma característica essencial deste estilo é a gratuidade que testemunhastes nestes dias aqui em Madrid. Obrigado! Talvez as estatísticas não o registem, mas sabemos que, nestes dias, também graças a vós, esta cidade cresceu e está mais perto do Reino de Deus. Mérito nosso? Não! Tudo é graça d’Ele! Este é o segredo: o amor de Deus, que move o sol e os astros, e move os corações daqueles que encontraram o «Senhor Jesus [que] disse: “A felicidade está mais em dar do que em receber”» (Act 20, 35).

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Irmãs, irmãos, continuemos por este caminho! Com humildade e mansidão, sem qualquer presunção, mas firmes na fé e generosos no serviço. Que a Virgem Maria vos conceda ser fermento do Reino, sempre e em toda a parte. Obrigado e vemo-nos em Roma!

[Bênção das primeiras pedras]

[Entrega do Cálice oferecido à Arquidiocese de Madrid]

Quero deixar também, como um dom para toda a família aqui em Madrid, como sinal de comunhão na Igreja, este cálice. Que jamais nos esqueçamos do que celebramos no memorial de Cristo que nos salvou.

[Bênção apostólica]

Muito obrigado a todos!