Eu não quero voltar para a borracharia. Aquele lugar era o meu inferno.” A frase impactante, dita pelo ex-campeão de duas categorias do UFC, Alex Poatan, antecedeu umas das maiores vitórias da história do MMA brasileiro. No entanto, ela se tornou um marco da retomada da Série A do Campeonato Brasileiro após a parada para a Copa do Mundo.

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A frase do duplo campeão do UFC foi reverberada nas redes sociais por diversos internautas que relembram episódios curiosos do futebol brasileiro, como lances inusitados e gols perdidos, que vão ao contrário desta edição da Copa do Mundo, que ficou marcada por golaços e jogos emblemáticos, como a virada nos minutos finais da Argentina contra a Inglaterra.

Como surgiu a frase “eu não quero voltar pra borracharia”?

O desabafo foi disparado na encarada oficial do UFC 320 diretamente no rosto do rival, o russo Magomed Ankalaev. A declaração serviu como resposta às provocações do desafiante, que insistia publicamente que o brasileiro seria derrotado e voltaria ao antigo emprego de borracheiro.

Veja fotos do físico impressionante de Alex Poatan para luta no peso-pesado

O “inferno” em questão era uma modesta oficina de pneus em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Poatan abandonou a escola aos 12 anos e, aos 16, já enfrentava o alcoolismo severo para aguentar o fardo do cotidiano de trabalho braçal extremo.

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O esporte surgiu na vida do atleta aos 22 anos, não como um sonho de infância, mas como “salvação” contra os próprios demônios através do kickboxing.

A resposta definitiva veio dentro do octógono em um confronto cercado de expectativa em tom de revanche. Focado em provar que a derrota para o russo, ocorrida em março de 2025 no UFC 313, foi motivada apenas por falta de condições físicas ideais, o brasileiro mudou totalmente de postura.

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Com agressividade desde o primeiro instante, o campeão partiu para cima do adversário e, com apenas 80 segundos do primeiro assalto, conectou um belo cruzado de direita que nocauteou Ankalaev sem dar chances de reação, retomando de forma avassaladora o cinturão dos meio-pesados.

O desfecho relâmpago rendeu ao lutador paulista o bônus de “Performance da Noite” no valor de US$ 50 mil (cerca de R$ 266 mil). Com o título mundial de volta e a alma lavada, ele se recolocava como a principal estrela do esporte na atualidade.

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Conheça a história de Alex Poatan

Natural de São Bernardo do Campo (SP), Alex “Poatan” Pereira iniciou no mundo da luta em 2009 no kickboxing. O brasileiro teve uma infância pouco abastada, e, quando mais velho, Alex enfrentou uma forte dependência com o álcool. Através do esporte, conseguiu uma grande virada na vida.

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Poatan” vem do Tupi “Mãos de Pedra“, apelido dado pelo primeiro treinador de kickboxing, Belocqua Wera. Alex tem ancestralidade indígena da tribo Pataxó, que não fala Tupi.

Alex Pereira é uma verdadeira lenda da modalidade kickboxing. O lutador é tetra campeão do GLORY (2014, 2017, 2019, 2021), maior torneio da modalidade no mundo, e o primeiro a conseguir ser dono de cinturões em duas categorias de peso diferentes. Em 2023, foi eleito hall da fama do campeonato.

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Após a carreira de sucesso no kickboxing, Poatan fez a transição para o MMA em 2015, no Jungle Fight. Ele perdeu na estreia no novo esporte, mas garantiu duas vitórias consecutivas por nocaute na sequência. Também fez passagem por Legacy Fighting Alliance (LFA), com mais uma vitória por nocaute.

Início no UFC

Em setembro de 2021, Alex Poatan assinou com o UFC. Com três vitórias nas primeiras três lutas, o brasileiro recebeu a oportunidade de disputar o cinturão dos médios, contra um dos maiores nomes do Ultimate: Israel Adesanya, que acumulava cinco defesas de título.

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Rivais antigos, os dois já haviam se enfrentado no Glory, com Poatan nocauteando Adesanya na antiga modalidade. O mesmo desfecho aconteceu no primeiro encontro no UFC, com a vitória de Alex por nocaute no último round.

A partir desse momento, Alex Pereira havia se tornado um dos nomes mais repercutidos do Ultimate. Na revanche, o paulista perdeu o título sendo nocauteado por Israel. Pelo peso médio, ele soma quatro vitórias em cinco lutas. 

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No ano de 2023, Poatan subiu de categoria para o meio-pesado contra o polonês Jan Blachowicz. Logo após, lutou com tcheco Jiří Procházka pelo cinturão vago da divisão. Poatan venceu a luta por nocaute técnico no segundo round se tornou o campeão duplo campeão do UFC.

O período nos meio-pesados é o auge de Potan no Ultimate. Desde que pegou o cinturão, Alex defendeu três vezes o título mundial, com direito a luta histórica contra o americano Jamahal Hill por nocaute no primeiro round, na luta principal do UFC 300.

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Poatan bateu o recorde da organização de menor tempo entre três defesas de título bem sucedidas, com 175 dias. Na tentativa de quarta desefa, Alex amargou a primeira derrota na divisão contra o russo Magomed Ankalaev, por decisão unânime.

Poatan tentava feito histórico no UFC Casa Branca

Escalado para a co-luta principal do UFC na Casa Branca, em 14 de junho de 2026, Alex “Poatan” Pereira viu o sonho do triplo cinturão inédito ser interrompido por Ciryl Gane. O brasileiro subiu para os pesos-pesados para disputar o título interino da categoria, vago devido a uma lesão no olho do campeão Tom Aspinall, após a organização rechaçar uma superluta contra a lenda Jon Jones.

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O duelo valendo o topo da divisão começou estratégico, com o lutador francês ditando o ritmo das ações através de sua conhecida movimentação e controle milimétrico de distância. Gane conseguiu anular o espaço na arena norte-americana desde os instantes iniciais, frustrando as tentativas de aproximação e os tradicionais contragolpes do atleta paulista.

O domínio tático transformou-se em dano real logo no início do segundo assalto, quando o francês encontrou uma brecha definitiva na guarda do adversário. Gane conectou um soco reto e limpo na linha do rosto de Poatan, que foi à lona em um knockdown brutal, precisando demonstrar grande resiliência para sobreviver ao ataque e se colocar de pé novamente.

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Aproveitando o momento caótico, o europeu manteve a pressão e encurralou o oponente contra a grade com uma saraivada de golpes contundentes. Sem respostas por parte do brasileiro, o árbitro central interveio e decretou o nocaute técnico a 1 minuto e 27 segundos do segundo assalto, consagrando Ciryl Gane como campeão interino da categoria.

*Sob supervisão de Marcos Jordão