Era 19h25min no horário de Brasília quando a venezuelana Victoria Prado, de 23 anos, recebeu uma mensagem da mãe sobre os tremores de terra na Venezuela, na quarta-feira (24). Naquele momento, cerca de 20 minutos depois que o Serviço Geológico dos Estados Unidos emitiu o alerta para o primeiro terremoto, Victoria, que mora em Florianópolis há cerca de quatro anos, ainda não tinha noção da dimensão dos estragos que os abalos sísmicos trariam.
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Victoria, que estuda jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), contou ao NSC Total que assim que recebeu a mensagem da mãe, que mora em Curitiba, no Paraná, mas soube dos tremores pela avó, moradora da cidade de Maracay, no estado Aragua, na Venezuela, não conseguiu encontrar nenhuma notícia sobre o ocorrido.
Victoria chegou ao Brasil em 2017 ao lado dos pais e da irmã, inicialmente em Porto Velho, em Rondônia. À época, a família decidiu sair da Venezuela pela situação política, sendo aquele ano um dos períodos mais violentos do país. Depois, a jovem resolveu vir para Santa Catarina para a faculdade, em 2022, onde está no último período do curso atualmente. Hoje, os pais moram em Curitiba, mas parte da família permaneceu na cidade venezuelana.
Macacay fica a cerca de 188 km de Yumare, onde foi registrado o epicentro do terremoto de magnitude 7,5, o mais forte sentido no país entre os abalos desta quarta-feira, e a 120 km de Caracas, a capital da Venezuela. Mesmo sabendo que os tremores tinham sido consideravelmente longe da cidade onde sua família mora, Victoria não sossegou até saber que todo mundo estava, de fato, bem.
— [Fiquei] bastante [nervosa]. Por causa da distância muitas vezes as notícias chegam meio atrasadas para mim e minha família que moramos aqui no Brasil, então gera uma sensação de incerteza sobre como que as pessoas estão lá, se precisam de ajuda com alguma coisa — contou.
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Felizmente, a avó dela, os tios e os dois primos que ainda moram no país estão bem, sem ferimentos.
FOTOS: Terremotos na Venezuela deixam estragos e mortos
Venezuela decretou estado de emergência
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou pelo menos 164 mortos e mais de 900 feridos após dois terremotos atingirem o país na noite de quarta-feira (24). Conforme o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o terremoto de magnitude 7,5 é o mais forte na Venezuela em mais de 100 anos.
O país decretou estado de emergência, conforme informações do g1, com a suspensão de aulas e todos os serviços não essenciais. O objetivo é fazer com que as autoridades possam utilizar todos os esforços para resgatar pessoas que estão sob os escombros.
Uma das regiões mais afetadas é o estado de Vargas. A cerca de 30 km de Caracas, em Catia La Mar, é possível ver escombros espalhados pelas ruas e residências totalmente destruídas. Também foram registrados colapsos de estruturas em bairros de Caracas como La Pastora, San Bernardino e Los Palos Grandes. Um hotel inteiro de oito andares veio abaixo com os tremores.
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O primeiro terremoto foi de magnitude 7,2. Já o segundo tremor aconteceu cerca de 39 segundos depois, ainda mais intenso, de magnitude 7,5. A presidente interina fez um apelo aos profissionais de saúde do país para que “toda a rede de saúde pública e privada do país […] se dirijam aos seus postos de trabalho”.
A última vez que um terremoto tão forte havia sido sentido no país foi em 1900, quando um tremor de magnitude 7,7 atingiu a costa norte venezuelana, perto da capital Caracas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos emitiu um alerta vermelho, estimando que o tremor do terremoto na Venezuela pode resultar entre 10 mil a 100 mil vítimas.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar precisou ser fechado após sofrer danos provocados pelos tremores, conforme o governo da Venezuela.






