A NASA reconheceu oficialmente que a missão tripulada da nave CST-100 Starliner, da Boeing, apresentou falhas graves e foi classificada como um “acidente do Tipo A”, o nível mais alto de risco dentro da agência espacial. A conclusão faz parte de um relatório divulgado após investigação sobre o voo realizado em 2024.

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A missão, que inicialmente deveria durar entre oito e 14 dias, acabou se estendendo por 93 dias após problemas no sistema de propulsão serem identificados ainda em órbita. As falhas ocorreram durante a aproximação da espaçonave com a Estação Espacial Internacional (ISS), gerando perda de manobrabilidade e preocupações com a segurança da tripulação.

Diante do cenário, a NASA optou por não trazer os astronautas de volta na Starliner. Butch Wilmore e Suni Williams retornaram à Terra apenas meses depois, em março de 2025, a bordo de outra missão, a Crew-9, da SpaceX.

Falhas vão além da parte técnica

Segundo o relatório, os problemas não se limitaram ao hardware da nave. A investigação identificou uma combinação de falhas técnicas, lacunas nos processos de qualificação, erros de liderança e até questões culturais dentro das organizações envolvidas.

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Um dos pontos mais críticos destacados foi a influência de objetivos estratégicos nas decisões técnicas. A NASA admitiu que o interesse em manter dois fornecedores capazes de transportar astronautas pode ter impactado escolhas operacionais e de engenharia durante a missão.

Essa pressão, segundo os investigadores, contribuiu para a criação de condições de risco incompatíveis com os padrões exigidos para voos tripulados.

Classificação de acidente mesmo sem vítimas

Apesar de não haver feridos, a missão foi classificada como um acidente devido ao alto potencial de risco envolvido. A NASA considera esse tipo de evento como uma ocorrência que poderia ter resultado em consequências graves, incluindo perda de tripulação.

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Além dos riscos operacionais, o relatório também menciona prejuízos financeiros relacionados às falhas da missão.

Investigação durou meses

A equipe responsável pela análise foi formada em fevereiro de 2025, com o objetivo de avaliar fatores técnicos, organizacionais e culturais. O relatório final foi concluído em novembro do mesmo ano.

Desde o retorno da Starliner, NASA e Boeing vêm trabalhando em conjunto para identificar as causas dos problemas e implementar correções. Parte das informações do relatório foi ocultada por conter dados considerados sensíveis.

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Próximos passos

A NASA informou que só voltará a realizar voos com a Starliner após a implementação completa das ações corretivas. A agência também destacou que as lições aprendidas com o caso serão aplicadas em outros programas espaciais.

O objetivo, segundo a agência, é evitar que falhas semelhantes se repitam e garantir maior segurança nas próximas missões tripuladas.

A parceria com a Boeing continua, mas sob maior rigor técnico e operacional, após um dos episódios mais críticos recentes do programa de voos comerciais da NASA.

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