No início de abril, a agência espacial norte-americana, a NASA, realizou a missão Artemis II – a primeira ida do homem para as proximidades da Lua depois de 60 anos. Durante a exploração, os tripulantes tiraram fotos do planeta Terra que repercutiram nas redes sociais.
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Apelidado de Earthset (Pôr da Terra), o registro foi feito no dia seis de abril deste ano, enquanto a nave Orion passava por trás da Lua. Seu enquadramento e enfoque lembram outra foto histórica tirada do nosso planeta da perspectiva espacial: a Earthrise (Nascer da Terra), de 1968.
Apesar das semelhanças entre as fotografias, o espaçamento de mais de meio século entre as imagens mostra mudanças às quais a Terra foi submetida. Essa comparação reacendeu debates sobre os esforços que a humanidade faz para conservar o seu planeta natal.
As mudanças apontadas pelas fotos
Desde a época do registro da Earthrise, os níveis de dióxido de carbono na atmosfera aumentaram em aproximadamente um terço, e as temperaturas globais subiram em pelo menos 1°C. Isso ocasionou o derretimento das calotas polares e geleiras, que estão visivelmente maiores na foto de 1968.
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As manchas cinzas de grandes metrópoles são muito mais extensas agora, na Earthset, especialmente na Ásia e na África, explicitando o impacto que ações de urbanização tiveram na cobertura vegetal e na superfície terrestre.
“O planeta se transformou à medida que as atividades humanas alteraram a textura da nossa superfície vista do espaço: a expansão das cidades, o desmatamento de florestas densas para dar lugar a áreas agrícolas mais claras e o esvaziamento do Mar de Aral, que hoje está reduzido a menos de 10% do seu tamanho na década de 1960”, disse Richard Allan, professor de ciências climáticas no Centro Nacional de Observação da Terra da Universidade de Reading, no Reino Unido, em entrevista para a BBC.
O legado de Earthrise e a identidade de Earthset
A foto de 1968 foi tirada em meio à icônica operação Apollo 8, realizada durante a corrida espacial na Guerra Fria. Os objetivos da missão estavam relacionados com aspectos técnicos da astronomia, e o momento que ocasionou o registro histórico não foi algo planejado para acontecer.
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“Olhamos para cima e lá estava a Terra ao fundo, surgindo por sobre a superfície lunar. Bill Anders tirou a foto que provavelmente se tornou uma das imagens mais significativas já feitas pelo ser humano”, disse Frank Borman, comandante da Apollo 8, para a BBC.
Desde então, agências espaciais de todo o mundo captam imagens da Terra por meio de satélites na órbita terrestre. Entretanto, o fato de ter sido registrada por um humano dá um toque mais especial para a Earthset, o que permite a comparação com a lendária foto de 1968.
“As imagens feitas pelo ser humano são enquadradas, focadas, e o astronauta toma decisões — conscientes e até subconscientes — ao pressionar o obturador; ele tem algo em mente”, disse Craig Donlon, responsável pelos planos da próxima geração de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA).
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