A Netflix está mudando a forma como encara o engajamento publicitário diariamente, isso é fato. E ciente de que o comportamento multitarefa (que é assistir TV enquanto usa o celular) é um desafio para as marcas, a empresa iniciou uma pesquisa inédita no Brasil.

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Utilizando câmeras e um software de inteligência artificial da Amplified Intelligence, a gigante do streaming consegue monitorar o movimento dos olhos e a postura corporal de 250 assinantes. O objetivo central é classificar o nível de atenção do público como ativo, passivo ou nulo, buscando otimizar a experiência juntamente com anúncios na plataforma.

Rastreando o olhar dos assinantes

Este experimento inédito, está em andamento e deve seguir até Julho, em uma tentativa de aperfeiçoar a entrega da publicidade. Diferente de outros streamings que interrompem a cena repentinamente, a Netflix aposta em uma equipe editorial para selecionar os melhores momentos para iserções.

Com base nos dados estudados em países como Austrália e México mostraram uma retenção de até 65% na publicidade, um número superior à média de mercado, que oscila entre 33% e 50%. A empresa garante que:

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  • Privacidade: Análises anônimas e as gravações não são enviadas para servidores externos.
  • Foco em TV: O estudo vai limitar o consumo via aparelhos de TV, excluindo tablets e smartphones no momento.
  • Melhoria de conteúdo: Dados serão usados para ajustar a estratégia editorial e a distribuição de anúncios no plano com publicidade.

Foco: comportamento do usuário

A gigante do streaming busca entender o que faz o espectador parar de olhar para a tela. Ao identificar padrões de comportamento, a plataforma pretende criar anúncios que não quebrem o ritmo narrativo das produções, para evitar, de certa forma, que o usuário se sinta compelido a abandonar a plataforma ou ignorar a propaganda.

Porque a “atenção” é a nova métrica de ouro?

Muito além da simples otimização de anúncios, a manobra da Netflix reflete uma mudança profunda no modelo de negócios do streaming global. Tradicionalmente, o mercado publicitário baseava-se em métricas de alcance – em outras palavras: quantas pessoas foram expostas ao anúncio-. No entanto, com a crescente dispersão da atenção do público, fenômeno conhecido como second screen (uso de celular enquanto a TV está ligada), as marcas começaram a exigir provas de efetividade real.

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Ao utilizar tecnologias de rastreamento ocular (eye-tracking) e análise de postura, a Netflix está criando um novo padrão de métrica chamado “Attention Metrics”. Na prática, isso significa que a empresa não quer vender apenas espaço publicitário, mas sim tempo de atenção qualificada. Para os anunciantes, isso torna a plataforma muito mais valiosa: é possível garantir que a marca não está sendo exibida para alguém que está, na verdade, navegando em redes sociais ou conversando no WhatsApp. Se esse modelo se provar bem-sucedido no Brasil, é provável que a Netflix utilize esses dados para cobrar valores diferenciados por seus espaços publicitários, baseando o preço no nível de engajamento que cada tipo de anúncio consegue gerar.

Jean Lindemute