Cada vez mais idosos demonstram preferência pela solitude, despertando dúvidas em familiares. Mas, para pesquisadores, essa escolha pode revelar uma etapa pouco conhecida da vida: a gerotranscendência.
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O fenômeno descreve um despertar espiritual e um sentimento de paz profunda, que afasta a ideia de que o envelhecimento é apenas marcado pelo declínio.
Logo após os 80 anos, alguns idosos relatam sentir uma tranquilidade inédita. Em vez de isolamento patológico, eles vivenciam uma fase em que a busca por silêncio e espiritualidade ganha mais sentido do que a vida social intensa.
O que está por trás da solitude na velhice
A família do sr. Roberto (nome fictício criado em coluna do jornal Folha de S.Paulo), de 87 anos, se preocupa com sua escolha de evitar convites sociais. Mas ele garante: “Gosto de ficar quieto, me sinto em paz”. Para especialistas, esse comportamento pode estar ligado a uma transformação interior.
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O conceito foi estudado pelo psicólogo Erik Erikson, que chamou a atenção para uma etapa além da velhice tradicional: a gerotranscendência. Nela, os idosos deixam de ver a vida apenas pelo prisma material e passam a se conectar com dimensões espirituais.
Esse processo também foi reforçado pelo sueco Lars Tornstam, pioneiro da gerontologia social. Segundo ele, a experiência não diminui a vitalidade, mas amplia a satisfação, trazendo uma sensação de comunhão com o universo.
Quando a solidão se torna sabedoria
Na prática, o que pode parecer retraimento é, muitas vezes, uma escolha consciente. A solitude, nesse contexto, representa a chance de cultivar silêncio, reflexão e uma nova forma de se relacionar com o mundo.
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Em diversas culturas ancestrais, esses idosos são vistos como guardiões de sabedoria, respeitados pela experiência acumulada. Já na sociedade atual, marcada pela pressa, eles tendem a ser tratados apenas como dependentes.
O sr. Roberto, por exemplo, já compartilhou curiosidade sobre o fim da vida. “Estou curioso. Acho que vou viver coisas bem interessantes”, confidenciou, mostrando um olhar sereno para a morte.
Estudos revelam novos olhares sobre a velhice
Pesquisas recentes sugerem que a gerotranscendência não está restrita a idosos plenamente saudáveis. O fenômeno também pode ser vivido por quem enfrenta doenças degenerativas, como Parkinson ou Alzheimer.
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Um estudo no American Journal of Geriatric Psychiatry relata a experiência do psicólogo Neil Schuitevoerder, de 69 anos, diagnosticado com Parkinson. Apesar das limitações, ele descreve estados diários de felicidade.
Essa percepção abre espaço para enxergar o envelhecimento como mais do que perdas. Para muitos especialistas, trata-se de uma oportunidade de acessar dimensões de serenidade e espiritualidade que só o tempo pode revelar.
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