A inteligência artificial pode acabar com alguns empregos e isso é um risco conhecido, mas um novo hábito da população está destruindo vagas no presente e, longe de ser uma previsão, já virou realidade, pelo menos na Itália. Trata-se do hábito de beber cada vez menos álcool.
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A mudança silenciosa é provocada por diversos fatores. Segundo o relatório Istat 2025, que analisa tendências e dados do país em vários aspectos, o consumo total de álcool pode permanecer estável, mas o consumo diário de bebidas alcoólicas diminuiu consideravelmente.
Os dados mostram que em 1999, mais de 70% da população italiana com mais de 15 anos consumia álcool contra 68% em 2023. No entanto, o consumo diário caiu de 33,3% para 19%.
O que explica esse menor consumo de álcool na Itália
Para Pietro Monti, vice-presidente da Federação Italiana de Viticultores Independentes (FIVI), o consumo menor vai além do impacto geracional. Apesar de a Geração Z beber menos e ter tendências mais saudáveis, a mudança maior é estrutural.
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“Gen Z” ou a Geração Z
*(Fotos: Banco de imagens)
“A família média está bebendo menos, em parte porque as pessoas estão passando menos tempo em casa. Mas também porque a narrativa em torno do vinho se tornou complexa, dificultando o que deveria ser simples”, disse Monti ao Today. Segundo ele, aconteceu uma elitização em torno do consumo de vinho.
Para Marzia Varvaglione, presidente do Comitê de Empresários Europeus do Vinho e membro da diretoria da UIV (União Italiana do Vinho), a Organização Mundial da Saúde (OMS) usa o termo do álcool de forma genérica e não deveria demonizar o consumo moderado.
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Qual o impacto disso na economia do país
Os efeitos já são sentidos em algumas empresas grandes, como a Campari, gigante italiana de bebidas. Em 2024, a empresa registrou queda de 39% no lucro líquido, e no primeiro trimestre de 2025 a queda foi superior a 26%.
A Heineken anunciou que vai cortar de 5 a 6 mil postos de trabalho nos próximos dois anos para reduzir custos e lidar com a queda do consumo de álcool. A gigante do ramo da cerveja teve queda de 1,2% nas vendas de 2025 e tem mais de 90 mil funcionários no mundo todo.
As empresas já pensam no futuro com desenvolvimento de bebidas sem álcool com o objetivo de promover produtos tradicionais para mercados já estabelecidos e interpretar novas tendências de consumo para lançar novidades.
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