Os telespectadores mais atentos de Quem Ama Cuida, novela das nove da TV Globo, ganharam um importante enigma para decifrar no capítulo exibido na última sexta-feira (29). Um livro lido por Arthur (Antonio Fagundes) revelou os rumos trágicos que aguardam o protagonista.
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Na cena, o milionário apareceu focado na leitura do clássico A Sangue Frio, do jornalista e escritor americano Truman Capote antes de ser interrompido por Edvaldo (Guilherme Piva). A obra literária deu um spoiler sobre o destino do personagem na trama escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto.
O DNA do enredo em primeiro plano
O criador de conteúdo e influenciador Adriano Di Carvalho analisou o impacto da cena em suas redes sociais, destacando como a escolha do livro sintetiza a atmosfera que está por vir na novela.
“A direção fez questão de plantar isso na nossa cara. Fez o livro entrar em primeiro plano. O clássico do Truman Capote entrega o DNA exato desse enredo. O crime em si é só o motor, porque o interesse real tá na anatomia do estrago que a violência faz com quem fica vivo. E o que fica vivo ali é o clã dos Brandão, uma gente mesquinha disposta a quebrar as paredes da casa para ver quem assume o controle do dinheiro”, afirmou o influenciador no post.
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A obra de Capote, publicada originalmente na década de 1960, reconstrói o violento assassinato de uma família no interior dos Estados Unidos, motivado pela ganância de criminosos que buscavam uma fortuna inexistente. No folhetim da Globo, a premissa se repete, uma vez que Arthur será assassinado no capítulo desta terça-feira (2), logo após oficializar sua união com Adriana (Letícia Colin).
Sinopse de A Sangue Frio
O americano Truman Capote foi um escritor versátil: produziu textos de qualidade em vários gêneros (contos, peças, reportagens, adaptações para TV e roteiros para filmes). Mas sua grande obra foi o romance-reportagem A sangue frio, que conta a história da morte de toda a família Clutter, em Holcomb, Kansas, e dos autores da chacina. Capote decidiu escrever sobre o assunto ao ler no jornal a notícia do assassinato da família, em 1959. Quase seis anos depois, em 1965, a história foi publicada em quatro partes na revista The New Yorker. Além de narrar o extermínio do fazendeiro Herbert Clutter, de sua esposa Bonnie e dos filhos Nancy e Kenyon – uma típica família americana dos anos 50, pacata e integrada à comunidade -, o livro reconstitui a trajetória dos assassinos. Perry Smith e Dick Hikcock planejaram o crime acreditando que se apropriariam de uma fortuna, mas não encontraram praticamente nada. Perry era um sonhador. Teve criação conturbada e violenta, e achava que a vida lhe tinha dado golpes injustos. Dick, considerado o cérebro da dupla, queria apenas arrebatar o dinheiro e desaparecer. Presos e condenados, ambos morreram na forca em 1965. Publicado no mesmo ano da execução dos assassinos, A sangue frio rapidamente se tornou um sucesso de crítica e vendas, rendendo alguns milhões de dólares ao autor. A intensa relação que Capote estabeleceu com suas fontes foi determinante para o êxito da obra. Além de passar mais de um ano na região de Holcomb, investigando e conversando com moradores, ele se aproximou dos criminosos e conquistou sua confiança. Traçou um perfil humano e eloqüente dos dois “meninos”, como costumava chamá-los. Por seu estilo que combina a precisão factual com a força emotiva da criação artística – um romance de não-ficção, nas palavras do próprio autor -, A sangue frio é um marco na história do jornalismo e da literatura dos Estados Unidos. Reflexão sutil sobre as ambigüidades do sistema judicial do país, o texto desvenda o lado obscuro do sonho americano.




