Se você abrir a lista dos “100 melhores romances da história” feita pelo jornal britânico The Guardian, vai ver no topo da lista um livro que muitos brasileiros desconhecem: Middlemarch, escrito pela britânica Mary Ann Evans, sob o pseudônimo masculino George Eliott, e publicado pela primeira vez em 1871.

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A lista do jornal britânico é criada com o auxílio de 170 especialistas e foi publicada no sábado (16). Para ocupar o primeiro lugar, a obra recebeu 56 votos.

“Este é um romance sobre o que significa ser bom. E é impossível sair dele ileso. É uma celebração do heroísmo silencioso de vidas comuns, de todos aqueles que ‘repousam em túmulos esquecidos’, como diz o melancólico último verso. Com Middlemarch, Eliot mostrou o que um romance pode fazer”, pontuou o The Guardian em um editoral.

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Middlemarch “quebra a quarta parede”

Ao publicar seu romance entre 1871 e 1872, Mary Ann Evans pretendia realizar uma autopsia da sociedade britânica em um momento de ruptura, ambientando sua trama quatro décadas antes, às vésperas da Lei da Reforma de 1832.

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“Um sucesso de vendas imediato, o livro moldou a literatura em inglês desde então; poucos se surpreenderão ao vê-lo no topo da nossa lista. Como escreveu Emily Dickinson: ‘O que penso de Middlemarch? O que penso da glória?'”, explica o jornal.

Segundo o The Guardian, o que separa Middlemarch de outros clássicos, como as obras de Dickens ou das irmãs Brontë, é a sua seriedade moral, com Eliot educando o olhar do leitor.

“Há um caminho claro de Middlemarch até a interioridade feminina dos romances de Sally Rooney nos dias de hoje. A própria Eliot é uma voz sábia e gentil no romance, quebrando a quarta parede para nos lembrar de observar ou pensar com mais atenção”, pontua o jornal britânico.

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