A natureza ainda guarda mistérios e um deles acaba de ser revelado. Uma nova espécie de cobra foi identificada a partir de um exemplar atropelado em 1982.

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Batizada de cobra-cuspideira de Nyanga (Hemachatus nyangensis), ela foi descrita na revista Plos One e pode ser a única representante viva de sua espécie.

Sobre a cobra rara 

Apesar de ter sido encontrada há mais de 40 anos, sua real identidade só foi confirmada recentemente. Isso aconteceu porque o animal se assemelha a outras cobras cuspideiras já conhecidas, o que dificultou a distinção. 

Essa confusão é comum em estudos de biodiversidade, já que muitas espécies novas são parecidas com as existentes, exigindo análises genéticas e morfológicas detalhadas para diferenciar uma da outra.

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A Hemachatus nyangensis vive nas Terras Altas Orientais, uma região montanhosa e úmida do Zimbábue. Segundo os cientistas, o ambiente isolado pode ter contribuído para o desenvolvimento de características únicas dessa espécie.

O longo caminho até a confirmação

Em publicação no portal The Conversation, os autores do estudo explicam que o mistério envolvendo essas cobras vem de longa data. 

Desde a década de 1920, pesquisadores notavam a presença de serpentes com comportamento incomum e pele avermelhada sob as escamas.

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Nos anos 1950, o herpetólogo Donald Broadley analisou crânios de cobras cuspideiras e as classificou como Hemachatus haemachatus. 

Mas novas análises genéticas mostraram que a cobra-cuspideira de Nyanga se trata de uma espécie completamente diferente.

Ligação com a evolução humana

Pesquisas anteriores sugerem que essas cobras desenvolveram a habilidade de cuspir veneno como uma resposta defensiva contra os primeiros hominídeos.

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Quando os ancestrais dos humanos começaram a andar sobre duas pernas e a usar ferramentas, tornaram-se uma ameaça real para esses répteis. 

Nas najas africanas, a capacidade de cuspir veneno surgiu há cerca de 7 milhões de anos, o mesmo período em que os hominídeos e os chimpanzés se separaram evolutivamente. 

Já nas cobras asiáticas, esse comportamento apareceu há 2,5 milhões de anos, coincidindo com o surgimento do Homo erectus.

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Agora, o estudo aponta que o mesmo processo pode ter acontecido pela terceira vez com as cobras-cuspideiras de Nyanga.

No entanto, os pesquisadores alertam que ainda são necessárias mais amostras para entender completamente quando e como ocorreu essa separação evolutiva.

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