A escuridão repentina no meio da tarde transformou o Centro-Oeste dos Estados Unidos em um laboratório a céu aberto. 

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Durante alguns minutos, o eclipse solar total de abril de 2024 reduziu a luz e alterou a temperatura, criando condições incomuns para a vida selvagem.

Mas em vez de observar animais durante o eclipse, uma equipe de cientistas decidiu ouvir o que acontecia ao redor e gerou resultados inesperados. O estudo foi publicado na revista Ethology Ecology & Evolution em novembro de 2025. 

Um experimento guiado pelo som

No bioma de pradarias norte-americano, o cotidiano é marcado por cantos de aves, zumbidos de insetos, coaxar de anfíbios e sons produzidos por atividades humanas.

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Esse conjunto forma a paisagem sonora, que reflete o funcionamento do ecossistema. 

Segundo os autores, analisar como esses sons mudam quando a luz desaparece ajuda a entender como os animais usam pistas luminosas para organizar comportamentos como alimentação e reprodução.

Para isso, foram instalados gravadores automáticos que captam vocalizações sem interferir na rotina da fauna. 

Os equipamentos registraram sons antes, durante e depois do eclipse em três áreas de Ohio, permitindo comparar diversidade, intensidade e complexidade acústica.

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O que mudou durante o eclipse

A hipótese inicial era que a escuridão temporária faria a natureza soar como no entardecer. Afinal, o crepúsculo é um dos momentos do dia em que a luz muda de forma mais intensa e provoca ajustes no comportamento animal.

Porém, os resultados foram mais complexos. Certas espécies passaram a cantar menos, enquanto outras fizeram mais barulho do que o normal. Ou seja, o tipo de som e a quantidade de ruídos na pradaria não foram os mesmos de um dia comum.

Mesmo assim, o lugar não ficou em silêncio nem pareceu noite de verdade. 

Os sons apenas mudaram de padrão. Em vez de uma queda geral na atividade, houve uma espécie de reorganização, com diferentes animais reagindo de formas distintas ao escurecimento repentino.

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O que isso significa na prática

Segundo os autores, estudar os sons de um ambiente é uma forma eficaz de acompanhar mudanças no ecossistema ao longo do tempo.

A equipe destaca que ainda existem poucos estudos que utilizam gravações sonoras para analisar eclipses e outros eventos naturais.

Para eles, os achados indicam que a resposta dos animais não depende apenas da variação na luz. 

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Alterações na temperatura, mudanças nos ventos e os próprios ritmos biológicos, que também se ajustam durante o eclipse, influenciam o comportamento da fauna.

Por Vitoria Estrela