Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) em 2020 colocou o Brasil no centro do debate global sobre segurança hídrica.
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Estudos recentes apontam para a existência de um gigantesco reservatório subterrâneo sob a Floresta Amazônica: o Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA).
O aquífero ocupa uma área estimada em 1,2 milhão de quilômetros quadrados, espalhada pelos estados do Acre, Pará e Amapá. Cerca de 75% dessa extensão está em território brasileiro.
As primeiras estimativas indicam que o volume armazenado pode ultrapassar 150 quatrilhões de litros de água doce, o que o colocaria entre os maiores reservatórios subterrâneos do mundo.
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Potencial estratégico
Em teoria, o volume identificado seria suficiente para abastecer a população mundial por até 250 anos. Mas especialistas alertam: quantidade total não significa acesso imediato.
A viabilidade de uso depende de fatores como profundidade do reservatório, qualidade da água e custos de extração. Em outras palavras, transformar essa reserva em fonte de abastecimento exige estudos técnicos, infraestrutura e planejamento de longo prazo.
Papel no equilíbrio climático
Mais do que um estoque de água, o SAGA integra um sistema ambiental complexo. A Amazônia tem papel fundamental no equilíbrio climático da América do Sul, influenciando o regime de chuvas por meio dos chamados “rios voadores”, fluxos de vapor d’água que se deslocam pela atmosfera e impactam precipitações em diversas regiões do Brasil.
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Compreender o funcionamento do aquífero ajuda cientistas a entender como a água circula entre solo, subsolo, rios e atmosfera, especialmente em um cenário de mudanças climáticas. O reservatório não é apenas uma fonte potencial de abastecimento, mas parte essencial do ciclo hidrológico amazônico.
Desafio: preservar antes de explorar
A descoberta também levanta preocupações. Parte do SAGA se estende por áreas fora do Brasil, o que pode exigir acordos internacionais de governança para garantir uso responsável e proteção ambiental.
Especialistas em gestão hídrica lembram que a exploração descontrolada de aquíferos pode causar danos irreversíveis, como subsidência do solo e contaminação da água. Por isso, a principal recomendação é investir primeiro em pesquisa, monitoramento e políticas de preservação.
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Brasil no centro da geopolítica da água
O país já abriga o Aquífero Guarani, considerado um dos maiores reservatórios subterrâneos do planeta. Com a confirmação do SAGA, o Brasil amplia ainda mais sua relevância no cenário hídrico internacional.
Para os cientistas, no entanto, a mensagem é clara: a descoberta representa não apenas uma oportunidade estratégica, mas também uma responsabilidade ambiental.
Em um mundo que enfrenta crises hídricas cada vez mais frequentes, proteger essa riqueza natural pode ser tão importante quanto explorá-la.
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