Querido no sul do Brasil, o chimarrão pode esconder um perigo quando consumido em altas temperaturas. Segundo o Ministério da Saúde, a bebida acima de 65 ºC está ligada ao câncer de esôfago.

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O alerta não é contra a tradição, mas contra o excesso de calor. De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, bebidas muito quentes são classificadas como “provavelmente carcinogênicas”.

Logo, o problema não é o chimarrão em si, mas a forma como é ingerido. O risco aumenta conforme a temperatura da água usada na cuia, que pode atingir níveis prejudiciais à saúde.

Por que a temperatura é um fator de risco

A nutricionista Luciana Maya, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), explica que a exposição constante a líquidos muito quentes causa lesões no esôfago, facilitando o surgimento de células cancerígenas.

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O esôfago, que leva o alimento da garganta ao estômago, sofre diretamente com o calor excessivo. Essa agressão repetida pode se transformar, ao longo do tempo, em um dos cânceres mais comuns no mundo.

No Brasil, o câncer de esôfago é o sexto mais frequente entre homens e o décimo quinto entre mulheres. Globalmente, ele está entre os dez tipos mais incidentes, afetando mais homens do que mulheres.

Café e chá oferecem o mesmo risco?

Apesar de também serem consumidos quentes, café e chá não estão na mesma categoria que o chimarrão. Isso porque geralmente passam pelos lábios e língua antes de chegar ao esôfago, o que ajuda a reduzir a temperatura.

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Já o chimarrão é diferente. A bomba de metal leva o líquido diretamente à garganta, muitas vezes em temperaturas acima do recomendado. Esse contato direto aumenta a chance de danos às células esofágicas.

Segundo Luciana, esse detalhe faz toda a diferença: “No chimarrão, o líquido quente chega direto ao esôfago, sem a barreira de resfriamento natural da boca”, explica a especialista.

Como aproveitar o chimarrão com segurança

O consumo pode e deve continuar, desde que seja feito com cautela. A recomendação é preparar o chimarrão em temperaturas abaixo de 60 ºC, evitando riscos à saúde sem abrir mão da tradição.

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Uma dica prática é desligar a chaleira quando as primeiras bolhas aparecerem e esperar cinco minutos antes de servir. Essa pausa simples garante que a água fique em um nível seguro para consumo.

Além disso, versões em temperatura ambiente ou até geladas são alternativas que preservam o sabor e respeitam o hábito cultural, sem expor o esôfago ao calor excessivo.

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