Mantendo a tradição desde 1970, o Papa Leão XIV enviou uma mensagem para a Campanha da Fraternidade 2026, aos “irmãos e irmãs do Brasil”. No texto, datado de 11 de fevereiro de 2026, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, o pontífice cita um sermão de Santo Agostinho e reforça o significado da Quaresma como tempo de conversão, oração e compromisso concreto com os mais pobres, especialmente aqueles que enfrentam a falta de moradia digna.

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Na mensagem, o Papa recorda que este é um período do ano dedicado de forma mais intensa à prece e ao jejum e afirma que a Quaresma representa “um especial chamado de Deus a uma autêntica conversão”, convidando os fiéis a redirecionarem suas vidas a Deus por meio do jejum e da penitência, à semelhança de Cristo no deserto por quarenta dias.

A mensagem também destaca a importância da caridade. De acordo com o pontífice, durante esse tempo litúrgico os cristãos são chamados a renovar o empenho no cuidado com os mais pobres e necessitados, “com os quais o próprio Cristo se identifica”, em referência ao Evangelho de Mateus (25, 35-40). O Papa invoca ainda o Espírito Santo como guia no caminho da santificação.

Campanha da Fraternidade e compromisso social

Ao mencionar que há mais de seis décadas a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade, o Papa ressalta o papel da iniciativa na mobilização pastoral e caritativa da comunidade católica. Ele cita a exortação apostólica Dilexi te, ao afirmar que “existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres” e que é necessário empenho crescente na superação das causas estruturais da pobreza.

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Inspirada pelo lema “Ele veio morar entre nós” (cf. Jo 1,14), a campanha deste ano propõe uma reflexão sobre a realidade das pessoas que vivem sem moradia adequada. O pontífice recorda ainda ensinamentos de São João Paulo II, na encíclica Sollicitudo Rei Socialis, que aponta a falta de habitação como sinal de múltiplas carências econômicas, sociais e humanas.

Segundo o Papa, além de ações emergenciais, consideradas necessárias, é fundamental que a partilha dos bens e a solidariedade se tornem atitudes permanentes na vida dos fiéis. Ele afirma que o compromisso cristão deve levar ao encontro de Cristo presente “naqueles que não têm onde morar”.

Apelo às autoridades

Na mensagem, o pontífice também manifesta o desejo de que as iniciativas nascidas da Campanha da Fraternidade inspirem autoridades governamentais a promover políticas públicas voltadas à melhoria das condições de habitação da população mais vulnerável. O texto defende a atuação conjunta entre sociedade e poder público para enfrentar o problema.

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Ao final, o Papa confia seus votos à proteção de Nossa Senhora, lembrando que Maria não encontrou morada em Belém para dar à luz a Jesus, mas é venerada como Rainha e Padroeira do Brasil no Santuário Nacional de Aparecida. A mensagem termina com a concessão da Bênção Apostólica ao povo brasileiro, especialmente aos que atuam em favor da moradia digna.

Leia a mensagem na íntegra